Nulípara de 30 anos, com diagnóstico de lúpus eritematoso sistêmico e história recente de trombose venosa, apresenta ciclos menstruais prolongados de 8 a 10 dias, com intenso sangramento e cólicas fortes, busca orientação sobre métodos contraceptivos.
Pegadinha central: trombose venosa recente tira estrogênio do jogo; sangramento intenso faz o DIU de levonorgestrel superar o DIU de cobre.
DIU de cobre pode ser seguro para trombose, mas costuma piorar fluxo e cólicas.
Nuliparidade não contraindica DIU.
OMS 2025 reforça que lúpus com anticorpos antifosfolípides positivos ou desconhecidos aumenta ainda mais a restrição a métodos combinados.
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Contexto
Há duas questões simultâneas: alto risco trombótico e sangramento menstrual intenso com dismenorreia. História recente de trombose venosa torna métodos contendo estrogênio inadequados, porque o estrogênio aumenta fatores pró-coagulantes e eleva o risco de recorrência de tromboembolismo venoso. O lúpus ainda aumenta a preocupação, sobretudo se houver anticorpos antifosfolípides positivos ou desconhecidos.
Os Critérios de Elegibilidade Médica da OMS, 6ª edição de 2025, mantêm métodos combinados com estrogênio em categorias de alto risco para pacientes com trombose venosa e para lúpus com anticorpos antifosfolípides positivos ou desconhecidos. O DIU liberador de levonorgestrel não contém estrogênio, oferece elevada eficácia contraceptiva e reduz de forma importante o volume menstrual e a dismenorreia, exatamente as queixas da paciente.
O DIU de cobre também não aumenta risco trombótico e é contraceptivo eficaz, mas pode aumentar fluxo e cólicas, especialmente nos primeiros meses. Por isso, ele é menos vantajoso nesta paciente, que já menstrua por 8 a 10 dias com sangramento intenso.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. DIU de cobre é seguro do ponto de vista trombótico e nuliparidade não é contraindicação, mas pode aumentar sangramento menstrual e cólicas. Como essas são justamente as queixas mais relevantes, não é a melhor opção entre as alternativas.
B) Correta (gabarito). O DIU de levonorgestrel evita estrogênio, tem excelente eficácia e trata simultaneamente o sangramento menstrual intenso e a dismenorreia. É a alternativa que melhor concilia segurança trombótica e benefício ginecológico.
C) Incorreta. O anticoncepcional injetável mensal é combinado e contém estrogênio. Em mulher com trombose venosa recente, essa exposição é inadequada pelo risco de recorrência.
D) Incorreta. Usar a pílula de forma contínua não elimina o risco trombótico do estrogênio. O problema não é o intervalo sem comprimidos, e sim a exposição ao componente estrogênico.