Recém-nascido de 15 dias, a termo, Apgar 8/9, peso e comprimento ao nascer de 2.600 g e 46 cm, respectivamente, com síndrome de Down, e cuja gestação não apresentou outras intercorrências. Está na consulta de puericultura com peso e comprimento atuais de 2.900 g e 47 cm, respectivamente.
Pegadinha central: síndrome de Down usa curva específica desde o nascimento, não OMS com fator de correção.
A SBP disponibiliza curvas brasileiras específicas de peso, estatura, IMC e perímetro cefálico para síndrome de Down.
Queda de percentis dentro da própria curva específica exige investigação de comorbidades, não deve ser atribuída automaticamente à síndrome.
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Contexto
Crianças com síndrome de Down apresentam padrão próprio de crescimento, com velocidade e distribuição de peso, comprimento, estatura e perímetro cefálico diferentes da população geral. Por isso, o acompanhamento deve ser comparado com crianças da mesma condição e do mesmo sexo, usando curvas específicas desde o início da vida.
A Sociedade Brasileira de Pediatria disponibiliza curvas brasileiras específicas para síndrome de Down desde o nascimento e recomenda seu uso na prática clínica. A American Academy of Pediatrics, em seu relatório de supervisão de saúde de 2022, também orienta que peso, comprimento, peso por comprimento e perímetro cefálico do lactente sejam plotados em curvas específicas para síndrome de Down. Não se faz uma correção matemática das curvas da OMS.
A curva específica não serve para normalizar todo baixo crescimento como consequência da síndrome. Desaceleração em relação à própria curva pode revelar cardiopatia, hipotireoidismo, doença celíaca, dificuldade alimentar ou outras comorbidades. Este recém-nascido é a termo, portanto não há indicação de correção de idade gestacional como se faria em prematuro.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Curvas da OMS são fundamentais para a população geral, mas não representam adequadamente o padrão esperado de crescimento da síndrome de Down quando usadas isoladamente.
B) Correta (gabarito). O acompanhamento deve utilizar curvas específicas para síndrome de Down desde o nascimento, permitindo detectar se a criança está mantendo a trajetória esperada entre pares com a mesma condição.
C) Incorreta. Não existe uma fórmula de correção do peso ou do comprimento da curva da OMS para síndrome de Down. O método é utilizar uma curva construída especificamente para essa população.
D) Incorreta. Não há motivo para esperar até os 2 anos. As diferenças de crescimento já estão presentes no período neonatal e existem curvas específicas para os primeiros meses e anos de vida.