Paciente primigesta, com 14 semanas de gestação, chega à urgência apresentando sangramento vaginal leve há 1 dia, sem dor abdominal. Apresenta tipo sanguíneo “O” Rh negativo, com coombs indireto negativo, não é possível saber o tipo sanguíneo do genitor. Durante o exame, não é detectado sinal de instabilidade hemodinâmica. Após avaliação inicial, a ultrassonografia transvaginal revela presença de embrião vivo e hematoma subcoriônico.
Pegadinha central: ameaça de abortamento com feto vivo não elimina o risco de sensibilização Rh.
Coombs indireto negativo significa que a paciente ainda não apresenta aloanticorpos detectáveis e pode se beneficiar da profilaxia.
Recomendações modernas reduziram anti-D em eventos muito precoces, mas este caso está com 14 semanas.
Progesterona ou repouso não substituem imunoglobulina anti-D quando esta está indicada.
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Contexto
A paciente apresenta ameaça de abortamento: sangramento vaginal, embrião vivo e ausência de instabilidade hemodinâmica. O hematoma subcoriônico é uma coleção entre as membranas coriônicas e a parede uterina e pode acompanhar sangramento no início da gestação, sem significar inevitavelmente perda gestacional.
O elemento que muda a conduta é o sangue materno RhD negativo com Coombs indireto negativo, indicando que ela ainda não está sensibilizada. Sangramento gestacional pode permitir passagem de hemácias fetais para a circulação materna e desencadear aloimunização anti-D caso o feto seja RhD positivo.
A gestação está com 14 semanas, portanto já ultrapassou o período muito precoce no qual recomendações recentes reduziram a utilização rotineira de anti-D. O NICE atualizou sua orientação em 2026 e deixou de recomendar profilaxia de rotina até 11 semanas e 6 dias em perdas ou ameaça de abortamento; nas semanas seguintes, a decisão passa a depender do evento e da idade gestacional. Em sangramento após o primeiro trimestre em gestante RhD negativa não sensibilizada, a profilaxia anti-D permanece uma conduta aceita e é a resposta correta desta questão.
A imunoglobulina deve ser administrada o mais cedo possível após o evento sensibilizante. Reavaliação clínica e ultrassonográfica acompanha a vitalidade embriofetal e o hematoma. Repouso absoluto não demonstrou prevenir perda gestacional, e progesterona não substitui profilaxia anti-D.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Embora a gestação esteja viável, o sangramento em mulher RhD negativa não sensibilizada é um evento potencialmente sensibilizante e exige considerar profilaxia anti-D.
B) Correta (gabarito). A imunoglobulina anti-D reduz o risco de aloimunização materna diante de sangramento após o primeiro trimestre, e a reavaliação em 7 a 14 dias permite acompanhar o hematoma e a evolução da gestação.
C) Incorreta. Progesterona vaginal tem indicação em contextos específicos de sangramento precoce, particularmente quando há história de abortamento prévio em algumas diretrizes, mas não substitui a anti-D nesta paciente RhD negativa.
D) Incorreta. Não há benefício em adiar deliberadamente a profilaxia. Quando indicada, deve ser administrada o mais cedo possível após o sangramento.