Lactente de 9 meses foi admitido em Unidade de Pronto Atendimento (UPA) com quadro de diarreia; febre de 38,5 °C; diminuição do volume urinário; sonolência alternada com períodos de irritabilidade; apatia; palidez de pele. Ao exame físico: peso de 9 kg; temperatura axilar de 38 °C; frequência cardíaca de 130 bpm; frequência respiratória de 34 rpm; pressão arterial de 80 x 50 mmHg; mau estado geral; sonolento; reagindo com irritabilidade aos estímulos; palidez de pele; tecido subcutâneo com turgor pastoso; mucosas ressecadas; olhos encovados; extremidades frias; pulsos fracos. Tempo de enchimento capilar de 4 segundos. Respiração gemente, com aumento da amplitude e tiragens intercostais.
Pegadinha central: a questão foi anulada porque o paciente tem sinais de choque, mas a alternativa C reproduz o Plano C específico do Ministério da Saúde.
Menor de 1 ano no Plano C: 30 mL/kg em 1 hora e depois 70 mL/kg em 5 horas.
Em choque, cristaloide isotônico é administrado com reavaliação frequente; não use solução glicofisiológica como expansão inicial.
Para 9 kg, 30 mL/kg são 270 mL e 20 mL/kg são 180 mL.
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Contexto
O lactente apresenta desidratação grave com sinais importantes de hipoperfusão: sonolência, extremidades frias, pulsos fracos, tempo de enchimento capilar de 4 segundos, oligúria e mau estado geral. Esses achados também permitem descrever o quadro como choque hipovolêmico por perda gastrointestinal, razão pela qual a questão foi anulada oficialmente por ambiguidade entre classificação clínica e esquema de hidratação.
No algoritmo atual do Ministério da Saúde para doença diarreica, desidratação grave é tratada pelo Plano C. Em menores de 1 ano, a fase de expansão utiliza soro fisiológico a 0,9 por cento ou Ringer lactato 30 mL/kg em 1 hora, seguida de 70 mL/kg em 5 horas. Para 9 kg, a primeira etapa corresponde exatamente a 270 mL em 60 minutos.
Por outro lado, a presença de sinais de choque faz com que protocolos de emergência pediátrica considerem bolus rápidos de cristaloide isotônico, geralmente em alíquotas de 10 a 20 mL/kg, com reavaliação imediata. Para 9 kg, 20 mL/kg corresponde a 180 mL, o que torna a alternativa A também defensável do ponto de vista de ressuscitação do choque.
Alternativa por alternativa
A) Sem gabarito oficial. O volume de 180 mL corresponde a 20 mL/kg e é compatível com uma estratégia clássica de bolus rápido para choque hipovolêmico. Os sinais de má perfusão tornam essa interpretação plausível.
B) Sem gabarito oficial. Embora 270 mL corresponda a 30 mL/kg, solução glicofisiológica não é o fluido indicado para a fase inicial de expansão em choque ou desidratação grave.
C) Sem gabarito oficial. Esta alternativa reproduz exatamente a primeira etapa do Plano C atual do Ministério da Saúde para um lactente de 9 kg: 30 mL/kg de solução fisiológica em 1 hora. A controvérsia é chamar o quadro apenas de desidratação grave diante de sinais clínicos de choque.
D) Sem gabarito oficial. O volume e a solução propostos não correspondem à fase inicial do Plano C para um lactente com hipoperfusão. Glicofisiológico é utilizado em outras etapas de manutenção e reposição, não como ressuscitação inicial.