Menina de 2 anos e 6 meses é atendida em uma unidade básica de saúde (UBS). A mãe relata que a criança consome cerca de um litro de leite de vaca por dia e ingere pouca carne. O médico observa palidez cutaneomucosa e solicita exames. Os resultados são apresentados a seguir:
O médico inicia tratamento com ferro elementar na dose de 2 mg/kg/dia. Após 3 meses, exames foram repetidos, conforme tabela a seguir.
Ferro oral sem aumento de cerca de 1 g/dL em duas a quatro semanas exige revisar dose, adesão e dieta antes de trocar de via.
Tratamento infantil: 3 a 6 mg/kg/dia de ferro elementar.
Excesso de leite de vaca causa ferropenia por substituir comida rica em ferro e manter dieta monótona.
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Contexto
Hemoglobina baixa, VCM de 64 fL, anisocitose e ferritina reduzida confirmam anemia por deficiência de ferro. O consumo de cerca de um litro de leite de vaca por dia é um fator causal importante: o leite tem pouco ferro, substitui carnes e outros alimentos ricos no mineral, reduz a diversidade da dieta e pode favorecer perdas intestinais em crianças suscetíveis.
O PCDT de Anemia por Deficiência de Ferro do Ministério da Saúde recomenda, para tratamento infantil, 3 a 6 mg/kg/dia de ferro elementar, sem ultrapassar 60 mg ao dia. Espera-se reticulocitose em cerca de uma semana e elevação da hemoglobina próxima de 1 g/dL após duas a quatro semanas quando dose, adesão e diagnóstico estão corretos.
A hemoglobina aumentou apenas de 9,0 para 9,2 g/dL e a ferritina permanece baixa, portanto a resposta é insuficiente. Antes de diagnosticar má absorção ou indicar ferro intravenoso, devem ser revistos dose de ferro elementar, modo de administração, adesão, duração, uso concomitante de leite e persistência da dieta pobre em ferro. O leite deve ser limitado e não oferecido junto da medicação; carnes, feijão e alimentos fontes de vitamina C devem ser estimulados.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. A resposta não é a esperada, pois a hemoglobina praticamente não aumentou e os estoques continuam baixos. Manter o mesmo esquema prolongaria uma dose ou estratégia ineficaz.
B) Incorreta. Ferro intravenoso e investigação de doença celíaca são considerados após confirmar dose adequada, adesão e persistência de falha ou quando há intolerância e má absorção documentadas.
C) Incorreta. Traço talassêmico entra no diferencial de microcitose, mas a ferritina baixa demonstra ferropenia. A deficiência deve ser corrigida antes de atribuir a anemia a hemoglobinopatia.
D) Correta (gabarito). A persistência do excesso de leite e a reposição subterapêutica explicam a falha. A conduta é ajustar para dose terapêutica de ferro elementar e corrigir a alimentação.