Emergências oncológicas

RevalidaQuestão anulada pela bancaComentada pelo MedBoard
Questão 9
INEP · 2025

Paciente de 7 anos, na 4a semana de tratamento quimioterápico para leucemia linfocítica aguda, é admitido em hospital terciário com história de febre há 12 horas (temperatura axilar de 39 °C), tosse e dispneia. Após 24 horas da admissão, segue febril, apesar de ter usado dipirona há 1 hora, e mantém diurese de 2 mL/kg/h. Exame físico: hidratado; pálido; orientado no tempo e no espaço; frequência cardíaca de 130 bpm; temperatura axilar de 39 °C; frequência respiratória de 36 irpm; pressão arterial de 90 x 60 mmHg; boa perfusão periférica; murmúrio vesicular diminuído em base de hemitórax à direita, com crepitações; bulhas taquicárdicas; fígado a 4 cm do rebordo costal direito e 5 cm do apêndice xifoide; baço a 4 cm do rebordo costal esquerdo. Os exames laboratoriais evidenciam lactato aumentado, acidose metabólica e hemograma com leucocitose com desvio à esquerda.

Com base no quadro descrito, o diagnóstico é
Esta questão foi anulada pela banca, então não existe alternativa correta. O comentário abaixo explica o que ela cobrava e por que não se sustentou.
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

Questão anulada oficialmente. O paciente tem infecção respiratória provável em contexto onco-hematológico, com febre, taquicardia, taquipneia, lactato aumentado e acidose metabólica. O problema da questão é que diferentes definições de sepse pediátrica levam a classificações diferentes, e os dados fornecidos não permitem aplicar de forma completa a definição atual.

O International Consensus Criteria for Pediatric Sepsis and Septic Shock de 2024 substituiu a lógica baseada em SIRS pelo Phoenix Sepsis Score. Atualmente, sepse pediátrica é definida como infecção suspeita ou confirmada associada a Phoenix Sepsis Score ≥ 2. Choque séptico exige sepse mais pelo menos 1 ponto cardiovascular.

Neste paciente de 7 anos, a pressão de 90 x 60 mmHg fornece pressão arterial média de aproximadamente 70 mmHg, bem acima do limite de 48 mmHg que começa a pontuar no Phoenix para crianças de 5 a menos de 12 anos. Ele tem boa perfusão, diurese de 2 mL/kg/h, está orientado e não recebe vasoativo. O lactato é descrito apenas como aumentado, sem valor numérico; portanto, não se pode atribuir o ponto cardiovascular que exige lactato ≥ 5 mmol/L. Também não foram fornecidos dados suficientes dos domínios respiratório e de coagulação para demonstrar Phoenix ≥ 2.

Pelos critérios pediátricos antigos, baseados no consenso IPSCC de 2005, febre, taquicardia, taquipneia e leucocitose com desvio à esquerda satisfaziam SIRS; com foco infeccioso pulmonar, o caso poderia ser chamado de sepse. Essa diferença entre critérios antigos e atuais explica por que a questão ficou sem resposta única segura.

Alternativa por alternativa

A) Defensável pelos critérios antigos, mas sem gabarito oficial. No modelo SIRS mais infecção, o paciente poderia ser classificado como sepse. Pela definição Phoenix 2024, entretanto, faltam dados objetivos para demonstrar escore ≥ 2.

B) Incorreta. Choque séptico não está demonstrado. Há boa perfusão, diurese preservada, ausência de vasoativo e pressão arterial média adequada para a idade. O simples fato de o lactato estar elevado, sem saber se é ≥ 5 mmol/L, não permite preencher o componente cardiovascular do Phoenix.

C) Incorreta. Disfunção de múltiplos órgãos exige comprometimento documentado de mais de um sistema. O enunciado não demonstra falência multissistêmica.

D) Defensável apenas na nomenclatura antiga. O paciente preenche elementos de SIRS, mas SIRS não distingue adequadamente infecção simples de sepse com disfunção orgânica e deixou de ser a base da definição internacional atual.

Bizu MedBoard
  • Pegadinha central: desde 2024, sepse pediátrica internacionalmente usa Phoenix Sepsis Score ≥ 2, não SIRS isoladamente.

  • Choque séptico no Phoenix é sepse mais pelo menos 1 ponto cardiovascular.

  • Para 5 a menos de 12 anos, pressão arterial média > 48 mmHg não pontua por hipotensão no Phoenix; aqui a média é cerca de 70 mmHg.

  • Uma prova antiga pode chamar SIRS mais infecção de sepse; reconhecer a mudança de definição evita decorar conceitos conflitantes.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Emergências oncológicas” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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