Uma criança de 6 anos, do sexo feminino, é levada ao Ambulatório de Pediatria pela mãe devido à queixa de reclamações na escola por falta de atenção e sonolência excessiva. Segundo a mãe, a criança apresenta respiração oral ruidosa que piora durante o sono, com roncos e episódios de apneia, acordando várias vezes durante a noite com a boca seca e pedindo água. A mãe nega febre, tosse ou secreção nasal, que ocorrem apenas quando a criança fica gripada, o que é frequente. Nega prurido nasal ou espirros, assim como antecedentes familiares patológicos. Ao exame, a criança apresenta fácies congestas, com vedamento labial incompleto, respiração bucal ruidosa e olheiras. Otoscopia normal bilateralmente. Mucosas e cornetos nasais com leve hiperemia; cavidade oral com palato em ogiva; tonsilas palatinas com leve aumento e ausência de placas ou secreções. Ausculta pulmonar com roncos de transmissão.
A pegadinha é confundir exame da causa com exame da consequência: nasofibroscopia vê a adenoide; polissonografia mede a apneia.
Fácies adenoideana, respiração bucal, ronco e palato ogival apontam para obstrução nasofaríngea crônica.
Sonolência e desatenção escolar podem ser manifestações diurnas de sono fragmentado.
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Contexto
Respiração oral crônica, ronco, apneias observadas, despertares, boca seca, sonolência diurna, dificuldade de atenção, vedamento labial incompleto, olheiras e palato em ogiva sugerem obstrução nasofaríngea crônica por hipertrofia adenoideana. Tonsilas palatinas apenas discretamente aumentadas tornam a adenoide uma causa anatômica especialmente provável.
A nasofibroscopia flexível visualiza diretamente a adenoide, a porcentagem de obstrução das coanas e diagnósticos diferenciais, como rinossinusite, massa nasal ou hipertrofia de cornetos.
Existe uma distinção importante: a nasofibroscopia confirma a causa anatômica, enquanto a polissonografia confirma e quantifica a síndrome da apneia obstrutiva do sono pelo índice de apneia e hipopneia. Diante de sintomas intensos, comorbidades, dúvida sobre gravidade ou discordância entre exame e história, a polissonografia pode ser necessária antes da decisão terapêutica.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Testes de hipersensibilidade investigam sensibilização alérgica. A ausência de prurido, espirros e rinorreia persistente reduz a probabilidade de rinite alérgica como explicação principal.
B) Incorreta. Radiografia lateral de cavum pode estimar a coluna aérea, mas é bidimensional, expõe à radiação e é menos precisa que a visualização endoscópica.
C) Correta (gabarito). A nasofibroscopia flexível confirma diretamente a hipertrofia adenoideana e quantifica a obstrução nasofaríngea.
D) Incorreta. A polissonografia é o padrão para confirmar apneia obstrutiva do sono, mas não demonstra diretamente que a adenoide é a causa anatômica. Seria complementar se o comando perguntasse pela confirmação e gravidade da apneia.