Mulher, 49 anos, procura Unidade Básica de Saúde com queixa de irregularidade menstrual há cerca de 1 ano, ondas de calor diárias, sudorese noturna, irritabilidade e dificuldade para dormir. Nega comorbidades, medicações de uso regular, tabagismo, história pessoal ou familiar de câncer de mama ou eventos tromboembólicos. Traz resultado de mamografia recente sem alterações. Ao exame físico, não há alterações relevantes.
Climatério típico após os 45 anos não exige FSH para diagnóstico ou tratamento.
Estrogênio sistêmico em mulher com útero exige proteção endometrial com progestagênio.
Terapia hormonal trata sintomas e previne perda óssea durante o uso, mas não é prescrita para prevenção cardiovascular primária.
A prova que você vai prestar tem cara própria. Tem tema que cai todo ano e tema que nunca apareceu, e decidir isso no improviso custa as semanas que você não tem.
O MedBoard começa pelo outro lado. Ele pesa cada tema pela banca que você vai prestar, monta o cronograma a partir disso e guarda o que você errou para devolver na hora certa.
Criar conta grátis
Contexto
Aos 49 anos, irregularidade menstrual associada a fogachos, sudorese noturna, irritabilidade e alteração do sono caracteriza a transição menopausal. Em mulheres com mais de 45 anos e quadro típico, o diagnóstico é clínico; o FSH oscila amplamente durante a perimenopausa e não precisa ser dosado para autorizar tratamento.
A terapia hormonal é o tratamento mais eficaz para sintomas vasomotores, conforme a diretriz da European Society of Endocrinology de 2025. A indicação depende da intensidade dos sintomas, da preferência da paciente e da ausência de contraindicações, como câncer de mama hormônio-dependente, sangramento genital não esclarecido, doença tromboembólica ativa, doença hepática grave ou evento cardiovascular recente. Não se prescreve terapia hormonal com a finalidade de prevenir doença cardiovascular.
Como a paciente presumivelmente possui útero, estrogênio sistêmico deve ser associado a progestagênio para proteção endometrial. A menor dose eficaz deve ser escolhida, com via oral ou transdérmica conforme risco metabólico e trombótico, seguida de reavaliações periódicas. Sangramento anormal ou persistente precisa ser investigado antes ou durante o tratamento, e a necessidade contraceptiva continua existindo durante a transição.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Progestagênio isolado pode reduzir fogachos em situações selecionadas, especialmente quando estrogênio não pode ser usado, mas não é a opção padrão mais eficaz para esta paciente de baixo risco. Terapia hormonal não deve ser instituída para prevenção cardiovascular.
B) Incorreta. Não é necessário esperar amenorreia de 12 meses nem confirmar o climatério com FSH para tratar sintomas típicos em mulher acima de 45 anos. A espera apenas prolongaria sofrimento tratável.
C) Incorreta. Fitoterápicos apresentam eficácia variável e inferior à terapia hormonal para fogachos. Não têm efeito equivalente ao estrogênio na prevenção de perda óssea e fraturas.
D) Correta (gabarito). A paciente tem sintomas vasomotores frequentes, avaliação inicial favorável e nenhuma contraindicação apresentada. A conduta apropriada é discutir terapia hormonal, escolher dose, composição e via pelo perfil individual e reavaliar benefício, efeitos adversos e necessidade de continuidade.