Homem, 35 anos, dá entrada na Unidade de Pronto Atendimento (UPA), trazido pelo suporte básico do SAMU em prancha rígida e colar cervical, após queda de moto há 40 minutos. Encontra-se confuso, referindo dor em pelve e hipogástrio. Avaliação primária: Vias aéreas pérvias; respiração espontânea, sem esforço, FR 24 irpm e murmúrio vesicular simétrico. PA 96 x 58 mmHg; FC 124 bpm; pele fria, sudorese profusa e tempo de enchimento capilar lentificado. Abdome doloroso em hipogástrio, com ruídos hidroaéreos diminuídos; pelve instável. Glasgow 13 (O3 V4 M6), pupilas isocóricas e fotorreagentes. A UPA dispõe apenas de hemograma e radiografia simples; não possui tomografia computadorizada, banco de sangue ou cirurgião. O hospital de referência em trauma situa-se a 34 km.
Unidade sem controle definitivo deve estabilizar o essencial e transferir sem atraso.
Pelve instável com choque pede cinta sobre os grandes trocânteres e suspeita de hemorragia até prova em contrário.
Paciente instável viaja com suporte avançado, comunicação prévia e documentação clínica.
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Contexto
Hipotensão, taquicardia, pele fria, sudorese, enchimento capilar lento e pelve instável indicam choque hemorrágico por provável sangramento pélvico. O índice de choque é aproximadamente 1,29, calculado por 124 dividido por 96, valor que reforça hipoperfusão relevante. A UPA não dispõe de sangue, tomografia nem equipe cirúrgica, portanto não consegue oferecer controle definitivo da hemorragia.
A unidade deve executar medidas que não atrasem a transferência: abordagem ABC, oxigenação e monitorização, acessos venosos calibrosos, prevenção de hipotermia, coleta dos exames disponíveis sem retardar a saída e cinta pélvica posicionada sobre os grandes trocânteres. A ressuscitação deve evitar grande volume indiscriminado de cristalóide, que favorece hipotermia, coagulopatia e diluição. Como há rebaixamento do nível de consciência e possibilidade de trauma craniano, a hipotensão deve ser ativamente evitada.
A remoção de um paciente instável exige regulação, contato prévio com o serviço receptor, documentação clínica e equipe de suporte avançado capaz de manter monitorização, acesso venoso, ventilação e drogas durante o trajeto. Consentimento formal ou autorização familiar não pode retardar transferência necessária para salvar a vida.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Infundir grande volume de cristalóide pode agravar a tríade letal do trauma e não controla a hemorragia pélvica. O paciente instável não deve ser transportado por suporte básico, e termo de consentimento obrigatório não pode atrasar uma remoção emergencial.
B) Correta (gabarito). A alternativa combina estabilização inicial, imobilização pélvica, regulação, comunicação com o receptor, transporte avançado e documento de transferência, garantindo continuidade e segurança sem pretender resolver na UPA o que exige centro de trauma.
C) Incorreta. A rapidez é necessária, mas não se deve transferir sem medidas iniciais essenciais nem delegar à equipe de transporte toda a comunicação. O serviço de origem deve contatar o receptor e enviar a documentação junto com o paciente.
D) Incorreta. A família deve ser informada sempre que possível, mas sua autorização não é requisito para tratamento e transferência de emergência. Além disso, suporte básico é insuficiente para um paciente em choque e com risco de deterioração durante 34 km.