Uma técnica de enfermagem de uma Unidade Básica de Saúde (UBS), após coletar o sangue de um usuário, sofre um acidente perfurocortante com agulha previamente utilizada na coleta. Ela não se preocupou a princípio, pois tratava-se de exames de rotina e o paciente estava aparentemente saudável. Depois de 4 dias do ocorrido, por orientação de uma colega do trabalho, resolveu procurar a própria UBS para saber o que deveria ser feito.
PEP para HIV começou depois de 72 horas: não está indicada para aquela exposição.
Fora da janela de PEP ainda há testagem, seguimento, avaliação de hepatites e notificação ocupacional.
Fonte aparentemente saudável não significa fonte sem HIV, HBV ou HCV.
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Contexto
Acidente perfurocortante com agulha previamente usada em coleta de sangue é exposição ocupacional percutânea com potencial risco para HIV, hepatite B e hepatite C. A aparência saudável do usuário-fonte não reduz a necessidade de avaliação, porque essas infecções podem ser assintomáticas.
O PCDT de Profilaxia Pós-Exposição do Ministério da Saúde de 2024 determina que a PEP para HIV seja iniciada o mais rápido possível, preferencialmente nas primeiras horas e no máximo até 72 horas após a exposição. Aos quatro dias, aproximadamente 96 horas, a profissional está fora da janela em que a profilaxia demonstrou benefício, portanto não se inicia antirretroviral para esse acidente.
Isso não encerra o atendimento. Devem ser realizados teste inicial da profissional e, quando possível e autorizado, teste rápido da fonte, além de acompanhamento sorológico conforme protocolo. Também é necessário verificar vacinação e anti-HBs para hepatite B, investigar hepatite C, registrar e notificar o acidente e orientar sinais de soroconversão. O ferimento deveria ter sido lavado imediatamente com água e sabão, sem espremer ou aplicar substâncias irritantes.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Teste negativo da profissional demonstra apenas ausência de infecção detectável no momento e não autoriza PEP após 72 horas. A fonte deve ser testada quando possível porque seu resultado orienta o seguimento das diferentes infecções.
B) Incorreta. Testar profissional e fonte é adequado, mas uma fonte positiva não reabre a janela da PEP após quatro dias. O resultado positivo intensifica aconselhamento e acompanhamento, sem tornar eficaz uma profilaxia iniciada tardiamente.
C) Correta (gabarito). Como decorreram mais de 72 horas, não há indicação de PEP para HIV nesta exposição. A profissional deve realizar testagem basal e acompanhamento sorológico, além da avaliação para hepatites e das providências de saúde do trabalhador.
D) Incorreta. O tempo decorrido é justamente o motivo para não indicar PEP. Além disso, testagem inicial faz parte do manejo e não deve ser omitida.