Mulher, 42 anos, é levada por familiares à Unidade de Pronto Atendimento com quadro de febre, agitação e confusão mental iniciadas no dia anterior. Relatam que, nas últimas semanas, ela vinha perdendo peso, queixando-se de dor no pescoço, suando excessivamente e dizendo que seu “coração disparava” mesmo em repouso, mas não procurou atendimento médico. Referiram ainda que a paciente faz uso regular de bebidas alcoólicas, sem conseguirem precisar a quantidade. Ao exame físico, observa-se temperatura axilar de 38,4 °C, FC 156 bpm, FR 28 irpm e PA 128 x 76 mmHg. À inspeção, apresenta abaulamento na região cervical anterior; ausculta pulmonar normal; ausculta cardíaca com ritmo regular taquicárdico em dois tempos; desorientação e tremor fino de extremidades.
Álcool no enunciado é a pegadinha; bócio, perda de peso, tremor e taquicardia sustentada apontam para tireotoxicose.
Na crise tireotóxica, controle adrenérgico é imediato; esmolol é útil quando se deseja titulação rápida.
Se a causa for tireoidite destrutiva, betabloqueador ajuda, mas tionamida não.
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Contexto
Febre, taquicardia intensa, agitação ou confusão, tremor, sudorese, perda ponderal e aumento cervical anterior caracterizam tireotoxicose grave com disfunção do sistema nervoso central, quadro compatível com crise tireotóxica. A dor cervical levanta a possibilidade de tireoidite subaguda como causa, enquanto o consumo de álcool funciona como distração para abstinência. O conjunto de bócio, sintomas tireotóxicos por semanas e FC de 156 bpm aponta primeiro para excesso de hormônio tireoidiano.
A medida inicial mais rápida entre as opções é o bloqueio dos efeitos adrenérgicos. Propranolol reduz taquicardia, tremor e agitação e, em doses altas, também diminui conversão periférica de T4 em T3. Se houver insuficiência cardíaca ou dúvida sobre tolerância hemodinâmica, prefere-se um agente titulável e de curta ação, como esmolol. O tratamento completo inclui suporte, resfriamento, glicocorticoide, tratamento do fator precipitante e terapia dirigida à causa. Tionamida seguida de iodo é usada quando há síntese aumentada, mas não tem utilidade em tireoidite destrutiva.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). O betabloqueador controla imediatamente a hiperatividade simpática responsável pela taquicardia extrema e pelo tremor. É a intervenção prioritária disponível, com escolha do fármaco conforme estabilidade cardíaca.
B) Incorreta. Benzodiazepínico pode ser adjuvante para agitação ou tratar abstinência alcoólica, mas não corrige o estado hipermetabólico nem explica adequadamente bócio, perda ponderal, dor cervical e sintomas adrenérgicos prévios.
C) Incorreta. Adenosina interrompe taquicardias supraventriculares dependentes do nó atrioventricular. O ritmo descrito é regular e compatível com taquicardia sinusal por tireotoxicose, que reapareceria mesmo após bloqueio nodal transitório.
D) Incorreta. Infecção pode precipitar uma crise tireotóxica e deve ser procurada, mas não há foco definido que justifique antibioticoterapia como primeira medida. Febre também é manifestação do próprio quadro.