Uma equipe de Saúde da Família é responsável por área de assentamento irregular. A maioria dos moradores exerce atividade informal como catadores de recicláveis. As moradias não possuem abastecimento individual de água, sendo o fornecimento realizado por torneiras coletivas, o que leva ao armazenamento domiciliar em recipientes improvisados. Nas últimas semanas, observou-se aumento do número de casos de dengue nessa área, associado à presença de recipientes com água parada, descarte inadequado de resíduos e circulação de informações incorretas sobre formas de prevenção da doença.
Dengue não se controla só no doente nem só com inseticida: controle sustentado começa no criadouro.
Quando a população precisa armazenar água, a resposta é armazenamento seguro e infraestrutura, não uma orientação impossível de cumprir.
A banca repete manejo ambiental, participação comunitária e intersetorialidade como núcleo do controle do Aedes.
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Contexto
O território reúne os principais determinantes para proliferação do Aedes aegypti: armazenamento doméstico inevitável de água, recipientes improvisados, descarte inadequado de resíduos e informação insuficiente. A medida de maior impacto sustentado é a eliminação ou proteção dos criadouros por manejo ambiental, associada à participação dos moradores e à atuação conjunta de saúde, saneamento, abastecimento de água, limpeza urbana, habitação e educação.
O Manejo Integrado de Vetores recomendado pela OMS combina vigilância epidemiológica e entomológica, mobilização social, melhoria ambiental e uso criterioso de métodos químicos ou biológicos. Nesse assentamento, apenas orientar que se descarte toda água armazenada seria inviável, porque a população depende dela. É necessário fornecer recipientes adequados com tampa, organizar coleta de resíduos, eliminar objetos que acumulem água e construir soluções permanentes de abastecimento.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). A ação atua na fonte da infestação e adapta a prevenção à realidade social. Participação comunitária garante manutenção das medidas, enquanto articulação intersetorial enfrenta água, resíduos e infraestrutura.
B) Incorreta. Identificar, classificar e tratar rapidamente os casos reduz complicações e mortes, mas não interrompe o ciclo de transmissão no território nem diminui a população de mosquitos.
C) Incorreta. Inseticidas podem ser usados de forma focal em situações definidas pela vigilância, mas não geram controle sustentado se os criadouros permanecem. Uso repetido ainda seleciona resistência e tem impacto ambiental.
D) Incorreta. Investigar domicílios de casos notificados é útil, mas o Aedes circula além dessas casas e muitas infecções não são notificadas ou são assintomáticas. A intervenção precisa cobrir o território e seus determinantes.