Mulher, 45 anos, é atendida em Unidade de Pronto Atendimento após ingestão acidental de soda cáustica ocorrida há cerca de 1 hora. Apresenta dor retroesternal intensa, disfagia e sialorreia, sem sinais de comprometimento respiratório.
Em ingestão cáustica, não provoque vômito, não lave e não neutralize.
Paciente sintomático estável realiza endoscopia precoce, idealmente dentro das primeiras 24 horas.
Álcali causa necrose de liquefação e tende a penetrar profundamente no esôfago.
A prova que você vai prestar tem cara própria. Tem tema que cai todo ano e tema que nunca apareceu, e decidir isso no improviso custa as semanas que você não tem.
O MedBoard começa pelo outro lado. Ele pesa cada tema pela banca que você vai prestar, monta o cronograma a partir disso e guarda o que você errou para devolver na hora certa.
Criar conta grátis
Contexto
A soda cáustica é um álcali forte que causa necrose de liquefação, saponificação de gorduras e penetração profunda na parede do esôfago e do estômago. Dor retroesternal, disfagia e sialorreia indicam lesão sintomática do trato digestivo alto, mas a presença ou ausência de queimadura oral não mede com segurança a extensão interna.
Após garantir via aérea, ventilação e circulação, a paciente deve permanecer em jejum. São proibidos indução de vômito, lavagem gástrica, carvão ativado e neutralização química. A reação entre ácido e base pode liberar calor e ampliar a queimadura, enquanto vômito e lavagem expõem novamente o esôfago ao agente. Sonda nasogástrica não deve ser introduzida às cegas.
Na pessoa sintomática e sem evidência de perfuração, a endoscopia digestiva alta deve ser realizada precocemente, em geral entre 6 e 24 horas, para graduar a necrose e orientar nutrição, observação ou cirurgia. Dor intensa com enfisema, peritonite, mediastinite ou instabilidade exige tomografia e avaliação cirúrgica imediata. Corticoides e antibióticos profiláticos não são recomendados de rotina; antibiótico é indicado quando há infecção, perfuração ou necrose extensa em manejo especializado.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Lavagem gástrica aumenta risco de vômito, aspiração, nova exposição da mucosa e perfuração. A passagem cega de sonda também pode atravessar uma parede fragilizada; quando necessária para nutrição, deve ser posicionada sob orientação endoscópica.
B) Incorreta. Neutralizar um álcali com ácido não interrompe a lesão de forma segura. A reação exotérmica e a formação de gás podem agravar necrose e distensão.
C) Incorreta. Corticoide sistêmico não previne estenose de modo confiável e pode mascarar infecção ou perfuração. Antibiótico profilático também não é rotina sem evidência de complicação infecciosa.
D) Correta (gabarito). Jejum e endoscopia entre 6 e 24 horas, após estabilização e avaliação da via aérea, permitem classificar a profundidade da lesão antes da fase de maior friabilidade tecidual.