Homem, 62 anos, está internado em um hospital de atenção secundária no 3o dia pós-operatório de colectomia direita aberta por neoplasia maligna de cólon. Relata dor abdominal progressiva, distensão abdominal e ausência de eliminação de fezes e flatos após a cirurgia. Apresenta náuseas e vômitos biliosos nas últimas doze horas. Ao exame físico: estado geral regular, FC 104 bpm, desidratado (2+/4+); PA 100 x 60 mmHg, abdome distendido; timpânico, com ruídos hidroaéreos diminuídos e dor difusa à palpação, sem sinais de irritação peritoneal. Tomografia de abdome, com contraste, realizada nesse mesmo dia, evidencia dilatação de alças intestinais, ausência de ar ou de líquido livre na cavidade.
Alças difusamente dilatadas e sem ponto de transição apontam para íleo, não obstrução mecânica.
Deiscência costuma trazer sepse, peritonite, coleção ou gás extraluminal.
O termo prolongado varia entre definições e geralmente é aplicado a partir do quarto ou quinto dia.
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Contexto
Manipulação intestinal, inflamação, anestésicos, opioides, distúrbios eletrolíticos e imobilidade reduzem a motilidade após cirurgia abdominal. O íleo paralítico produz distensão difusa, náuseas, vômitos, ausência de fezes e flatos e ruídos hidroaéreos diminuídos. Na tomografia, há dilatação difusa de alças sem ponto de transição definido, sem alça distal abruptamente colabada e sem sinais de estrangulamento.
A ausência de ar livre, líquido livre, irritação peritoneal ou sepse torna deiscência de anastomose menos provável. A ausência de dor desproporcional, acidose ou sinais de sofrimento da parede reduz a probabilidade de isquemia. O manejo inicial inclui jejum, hidratação e correção eletrolítica, redução de opioides, mobilização precoce, revisão de medicamentos e sonda nasogástrica quando vômitos ou distensão forem importantes.
A nomenclatura exige uma ressalva. Muitos consensos classificam íleo prolongado quando pelo menos dois sintomas persistem a partir do quarto dia pós-operatório, e algumas definições usam quatro a cinco dias. No terceiro dia após colectomia aberta, ainda pode ser chamado apenas de íleo pós-operatório. O gabarito utiliza a expressão íleo paralítico prolongado para destacar a persistência clínica com vômitos e ausência de recuperação, sem evidência de obstrução mecânica ou complicação perfurativa.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Isquemia mesentérica costuma causar dor intensa desproporcional ao exame, elevação de lactato, acidose, piora hemodinâmica ou alterações vasculares e parietais na tomografia. Esses achados não foram descritos.
B) Incorreta. Obstrução mecânica tende a mostrar ponto de transição, dilatação proximal e descompressão distal, podendo apresentar ruídos metálicos no início. A tomografia descreve apenas dilatação difusa e o exame mostra hipoperistaltismo.
C) Incorreta. Deiscência anastomótica costuma produzir febre, taquicardia progressiva, peritonite, coleção, líquido ou gás extraluminal. A ausência desses sinais reduz fortemente essa hipótese.
D) Correta (gabarito). O conjunto de pós-operatório recente, distensão, parada de eliminação, vômitos biliosos, ruídos diminuídos e dilatação sem evidência de transição ou vazamento caracteriza íleo paralítico pós-operatório persistente, denominado prolongado pela questão.