Um menino de 5 anos comparece ao acolhimento da Unidade Básica de Saúde com a babá, a pedido da escola, por suspeita de conjuntivite. Relata que a criança estava bem até voltar de férias escolares há 1 semana; está preocupada, pois sabe que os pais são contra a vacinação obrigatória. Há 4 dias com febre, resfriado, tosse seca, olhos vermelhos, vômitos e inapetência, medicado com paracetamol pela família por conta própria, sem melhora. No dia da consulta, o paciente acordou com lesões no rosto, atribuídas a uma reação ao uso do paracetamol. Ao exame: hidratado, prostrado, temperatura axilar 39 oC, hiperemia conjuntival bilateral leve, exantema papular em face, presença de máculas branco-azuladas de 1 a 3 mm com halo eritematoso em mucosa da boca. Sem outras alterações.
Febre, tosse, coriza, conjuntivite e Koplik fecham sarampo antes mesmo de o exantema se completar.
Com 12 meses ou mais, use vitamina A 200.000 UI ao dia por dois dias consecutivos.
Sarampo é de notificação imediata e exige precaução por aerossóis e investigação dos contatos.
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Contexto
Febre alta, tosse, coriza, conjuntivite e exantema que começa na face constituem a síndrome clínica do sarampo. As máculas branco-azuladas com halo eritematoso na mucosa jugal são manchas de Koplik, achado altamente característico que surge antes ou no início do exantema. A ausência de vacinação aumenta fortemente a probabilidade epidemiológica.
O tratamento é de suporte, mas deve incluir vitamina A, que reduz deficiência transitória associada ao sarampo e o risco de complicações oculares e mortalidade. Para crianças com 12 meses ou mais, o esquema recomendado é 200.000 UI por via oral no dia do diagnóstico e nova dose no dia seguinte. A OMS reafirmou em 2026 duas doses separadas por 24 horas; o Ministério da Saúde também incorpora vitamina A no manejo da criança com sarampo.
O caso suspeito exige notificação imediata, coleta de amostras conforme a vigilância e precaução respiratória por aerossóis. Antibióticos são reservados a infecção bacteriana secundária. Contatos devem ser avaliados rapidamente para vacinação ou imunoglobulina dentro das janelas de profilaxia.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. A hiperemia ocular integra a fase prodrômica viral e não representa conjuntivite bacteriana isolada. Tobramicina não trata o vírus nem modifica a evolução do sarampo.
B) Incorreta. Antibiótico oral não age contra o vírus do sarampo. Só é indicado se houver complicação bacteriana documentada, como otite média ou pneumonia bacteriana secundária.
C) Incorreta. Oseltamivir inibe neuraminidase dos vírus influenza A e B. Manchas de Koplik e progressão cefalocaudal do exantema apontam para sarampo, não influenza.
D) Correta (gabarito). Vitamina A por via oral, em duas doses adequadas à idade separadas por 24 horas, integra o tratamento do sarampo e reduz complicações, associada a suporte e medidas de vigilância.