Delirium, demência e polifarmácia no idoso

RevalidaComentada pelo MedBoard
Questão 3
INEP · 2026

Mulher de 88 anos é trazida à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) pelo SAMU, com queixa de dor intensa em quadril direito após queda da própria altura. Possui antecedentes de hipertensão arterial sistêmica e diabetes mellitus, em acompanhamento regular. Nega outras comorbidades ou uso prévio de psicotrópicos. É diagnosticada com fratura de colo de fêmur e aguarda transferência hospitalar. Apresenta dor significativa no quadril, exacerbada à mobilização passiva, a despeito da administração de dipirona endovenosa. Após 6 horas na UPA, evolui com desatenção, agitação psicomotora alternada com apatia e discurso desconexo, com tomografia de crânio normal. Exame físico: PA 138 x 76 mmHg; FC 102 bpm; FR 22 irpm; Temperatura 36,5 °C; SpO2 94% em ar ambiente; glicemia capilar 120 mg/dL. Pupilas isocóricas e fotorreagentes; ausculta cardiopulmonar sem alterações; abdome indolor e sem visceromegalias; ausência de déficits neurológicos focais.

Considerando o quadro clínico apresentado, o(s) principal(is) fator(es) precipitante(s) é(são)
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

O quadro caracteriza delirium: alteração aguda e flutuante da atenção e da cognição, com discurso desorganizado e alternância entre hiperatividade e hipoatividade. Pelo Confusion Assessment Method, o diagnóstico requer início agudo ou curso flutuante e desatenção, associados a pensamento desorganizado ou alteração do nível de consciência.

Idade avançada, fratura, mudança de ambiente e doenças crônicas aumentam a vulnerabilidade, mas deve-se procurar um precipitante agudo e potencialmente reversível. Nesta paciente, a dor intensa permanece sem controle apesar da dipirona. Dor não tratada aumenta a resposta ao estresse, prejudica o sono, limita a mobilização e é um gatilho importante de delirium em idosos com fratura de quadril.

A investigação ainda deve revisar infecção, hipóxia, retenção urinária, constipação, distúrbios metabólicos e medicamentos. Analgesia adequada, preferencialmente com estratégia multimodal e eventual bloqueio regional, integra o tratamento e a prevenção do delirium.

Alternativa por alternativa

A) Incorreta. A saturação de 94% em ar ambiente, sem sinais respiratórios ou cardiopulmonares associados, não demonstra hipoxemia como principal precipitante.

B) Incorreta. Hipertensão e diabetes aumentam a vulnerabilidade basal, mas são condições crônicas controladas e não explicam o início abrupto após a fratura.

C) Correta (gabarito). A dor intensa, persistente e exacerbada à mobilização é o precipitante agudo mais evidente do delirium.

D) Incorreta. A glicemia capilar de 120 mg/dL exclui hipoglicemia no momento da alteração mental.

Bizu MedBoard
  • A pegadinha é marcar a doença crônica como causa: delirium exige procurar o gatilho agudo reversível.

  • Início súbito, desatenção e flutuação entre agitação e apatia apontam para delirium.

  • Em fratura de quadril, controlar a dor também previne delirium, imobilidade e complicações respiratórias.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Delirium, demência e polifarmácia no idoso” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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