Mulher, 22 anos, é atendida no serviço de emergência hospitalar, encaminhada pela Unidade de Pronto Atendimento, com história de dor pélvica intensa há 5 dias, febre alta persistente, náuseas e vômitos. Relata corrimento vaginal purulento e piora progressiva do quadro, apesar de ter iniciado antibiótico oral há 48 horas. Ao exame físico, apresenta-se toxemiada, com dor abdominal difusa, defesa à palpação e dor intensa à mobilização do colo uterino. Ultrassonografia pélvica evidencia massa anexial complexa sugestiva de abscesso tubo-ovariano, medindo 3 cm de diâmetro.
DIP com abscesso, toxemia, vômitos ou falha oral é caso de internação.
A cobertura precisa incluir gonococo, clamídia e anaeróbios.
Abscesso pequeno e não roto pode responder a antibiótico; ausência de melhora em 48 a 72 horas pede drenagem ou cirurgia.
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Contexto
O quadro preenche critérios de doença inflamatória pélvica grave: dor pélvica, corrimento purulento, dor à mobilização cervical, febre alta, toxemia, vômitos, defesa abdominal, falha de esquema oral e abscesso tubo-ovariano. O abscesso resulta da progressão ascendente de uma infecção polimicrobiana, envolvendo gonococo, clamídia, anaeróbios, bacilos entéricos e flora vaginal.
Os critérios de internação incluem abscesso tubo-ovariano, doença grave com náuseas e vômitos, impossibilidade de excluir emergência cirúrgica, gestação, incapacidade de aderir ao tratamento oral e ausência de resposta após 72 horas. Segundo as diretrizes de IST do CDC de 2021, um esquema parenteral possível é ceftriaxona 1 g intravenosa a cada 24 horas, doxiciclina 100 mg a cada 12 horas e metronidazol 500 mg a cada 12 horas. Após melhora clínica por 24 a 48 horas, pode-se completar 14 dias por via oral.
Abscesso de 3 cm sem sinais de ruptura pode inicialmente ser tratado com antibiótico e observação. Drenagem guiada ou cirurgia é considerada se houver ruptura, instabilidade, sepse persistente, dúvida diagnóstica ou ausência de melhora em 48 a 72 horas.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). Internação, antibiótico intravenoso com cobertura ampla e monitorização são exigidos pela toxemia, pelos vômitos, pela falha do tratamento oral e pelo abscesso. O tamanho de 3 cm permite tentativa inicial medicamentosa se não houver ruptura.
B) Incorreta. A paciente piorou apesar de antibiótico oral e não consegue tolerar adequadamente tratamento ambulatorial. Manter o mesmo plano por mais 48 horas aumenta risco de ruptura, sepse, infertilidade e dor pélvica crônica.
C) Incorreta. A confirmação microbiológica não deve atrasar tratamento e frequentemente não identifica todos os agentes envolvidos. O esquema oral prévio é insuficiente para doença complicada.
D) Incorreta. Candidíase causa prurido, eritema e corrimento grumoso, mas não produz febre alta, dor à mobilização cervical ou abscesso tubo-ovariano. Antifúngico não trata a síndrome apresentada.