Homem de 57 anos faz uso de amitriptilina 100 mg/dia, há mais de 10 anos, para melhora do sono e diminuição da sensação de ansiedade. Sem histórico de comorbidades ou uso de outra medicação. Busca consulta médica em Unidade Básica de Saúde para avaliar riscos do uso prolongado da medicação.
A pegadinha é esquecer o eletrocardiograma em paciente acima de 50 anos usando tricíclico em dose alta.
O monitoramento é individualizado; exames não substituem a avaliação de efeitos anticolinérgicos, quedas e hipotensão.
Antes de apenas renovar a receita, revise a indicação e planeje desprescrição gradual se o risco superar o benefício.
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Contexto
A amitriptilina é um antidepressivo tricíclico com efeitos anticolinérgicos, anti-histamínicos, alfa-bloqueadores e sobre a condução cardíaca. A dose de 100 mg ao dia é elevada para uso apenas como hipnótico ou ansiolítico, e o uso por dez anos exige reavaliação da indicação, dos efeitos adversos e da possibilidade de redução gradual.
Em pessoas com mais de 50 anos ou com risco cardiovascular, o eletrocardiograma permite avaliar ritmo, intervalo QRS e QT corrigido. A avaliação laboratorial deve ser individualizada, incluindo função hepática, função renal e eletrólitos conforme dose, comorbidades e medicamentos associados.
Não existe um painel laboratorial universal no qual creatinina e potássio sejam obrigatórios exclusivamente por causa da amitriptilina. Entre as alternativas, a letra A é a melhor porque reúne os componentes mais relacionados à segurança: eletrocardiograma, transaminases e eletrólito relevante para risco arrítmico, além de função renal geral. O acompanhamento também deve incluir pressão ortostática, peso, sintomas anticolinérgicos, quedas, cognição e revisão de interações.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). É a opção que inclui eletrocardiograma, avaliação hepática, potássio e função renal, conjunto mais útil entre os apresentados para segurança cardiovascular e metabólica.
B) Incorreta. TSH pode ser solicitado conforme sintomas e lipidograma integra risco cardiovascular geral, mas ultrassonografia abdominal não monitora toxicidade habitual do tricíclico e falta eletrocardiograma.
C) Incorreta. Transaminases e potássio são pertinentes, porém ultrassonografia abdominal e radiografia de tórax não avaliam os principais riscos da amitriptilina, e falta eletrocardiograma.
D) Incorreta. Eletrólitos podem ser úteis, mas lipidograma, TSH e radiografia de tórax não substituem avaliação hepática e não formam o melhor conjunto de segurança entre as opções.