Um jovem de 18 anos chega à Unidade Básica de Saúde trazido por seu amigo, pedindo ajuda para retirar um anzol que perfurou seu polegar acidentalmente há aproximadamente 30 minutos, ao tentar colocar uma isca de minhoca. Nega comorbidades. Ao exame: anzol simples transfixado em polegar direito, sem outras alterações.
Anzol transfixado: exponha a farpa, corte-a e recue a haste pelo orifício de entrada.
Exame neurovascular vem antes do bloqueio e deve ser repetido após a retirada.
Não esqueça irrigação e avaliação da vacinação antitetânica.
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Contexto
O anzol simples possui uma farpa que impede sua retirada pelo movimento inverso e pode ampliar a laceração. Antes do bloqueio anestésico devem ser documentados perfusão, sensibilidade, força e mobilidade, além da profundidade e proximidade de tendão, articulação e osso. Depois de assepsia, campo e anestesia, um anzol já transfixado permite a técnica de avanço e corte descrita no Caderno de Atenção Primária 30 do Ministério da Saúde.
Se necessário, a ponta é avançada até que a farpa esteja completamente exposta. Corta-se com alicate a extremidade que contém a farpa e o restante do anzol é recuado pelo orifício de entrada. Assim, a farpa não é arrastada de volta pelos tecidos. Depois, realizam-se irrigação, revisão neurovascular, curativo, atualização da profilaxia do tétano e avaliação individual da necessidade de antibiótico.
Lesões próximas a olho, grandes vasos, nervos, tendões ou articulações, anzóis múltiplos ou profundos e dificuldade de remoção exigem encaminhamento especializado.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Força e sensibilidade devem ser examinadas e registradas antes de anestesiar, porque o bloqueio altera a avaliação neurológica. Após o bloqueio, o próximo passo é retirar o corpo estranho pela técnica adequada.
B) Correta (gabarito). Cortar a ponta com a farpa e retirar a haste pelo orifício de entrada elimina o mecanismo de retenção e reduz o trauma adicional aos tecidos.
C) Incorreta. Incisão ampla com lâmina não é necessária em anzol simples já transfixado. Ela aumenta sangramento, dor e risco de lesão de estruturas vizinhas.
D) Incorreta. Tracionar ou manipular a farpa pelo orifício de saída pode rasgar mais tecido. A farpa deve ser cortada antes de recuar o anzol pelo trajeto de entrada.