Gestante de 30 semanas, vítima de atropelamento em via pública por carro há 35 minutos. Foi trazida pelo SAMU em prancha, com estabilização cervical, oferta de oxigênio por cateter nasal e com dois acessos calibrosos infundindo solução fisiológica. Na avaliação inicial da unidade de emergência, apresentava FR 26 irpm; FC 130 bpm e PA 80 x 40 mmHg. O abdome encontra-se doloroso à palpação.
Gestante traumatizada e hipotensa em decúbito dorsal: desloque o útero para a esquerda.
Acima de 20 semanas, pense em compressão aortocaval como fator agravante do choque.
Primeiro estabilize a mãe; avaliação fetal e exames avançados vêm sem atrasar o ABC.
A prova que você vai prestar tem cara própria. Tem tema que cai todo ano e tema que nunca apareceu, e decidir isso no improviso custa as semanas que você não tem.
O MedBoard começa pelo outro lado. Ele pesa cada tema pela banca que você vai prestar, monta o cronograma a partir disso e guarda o que você errou para devolver na hora certa.
Criar conta grátis
Contexto
Após aproximadamente 20 semanas, o útero gravídico em decúbito dorsal pode comprimir a veia cava inferior e, em menor grau, a aorta. A redução do retorno venoso diminui o débito cardíaco e agrava a hipotensão, fenômeno chamado compressão aortocaval. Em uma gestante de 30 semanas com choque após trauma, esse componente mecânico deve ser corrigido imediatamente, sem interromper a investigação de hemorragia.
A prioridade continua sendo a reanimação materna pelo ABC do trauma, porque a melhor ressuscitação fetal é estabilizar a mãe. Faz-se deslocamento manual do útero para a esquerda ou inclinação da prancha em cerca de 15 a 30 graus para a esquerda, mantendo alinhamento da coluna. Oxigenação, acessos venosos, controle de hemorragia e reposição com hemoderivados quando indicada prosseguem simultaneamente. Exames de imagem vêm depois das medidas imediatas e não devem atrasar a estabilização.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Ultrassonografia obstétrica avalia vitalidade fetal e placenta, mas não corrige choque nem deve preceder uma intervenção simples e imediata que melhora o retorno venoso materno.
B) Incorreta. Coloides não são a reposição prioritária no trauma e não tratam a compressão aortocaval. A ressuscitação deve limitar cristalóides e priorizar sangue e componentes quando há hemorragia significativa.
C) Correta (gabarito). Lateralizar a prancha para a esquerda ou deslocar manualmente o útero alivia a compressão da cava, melhora o retorno venoso e integra a reanimação imediata da gestante no terceiro trimestre.
D) Incorreta. A tomografia pode ser necessária para definir lesões maternas e não deve ser negada apenas pela gestação, mas uma paciente com PA de 80 por 40 mmHg precisa primeiro de estabilização e correção da compressão aortocaval.