Mulher de 38 anos comparece a um serviço de emergência no 10o dia pós-operatório de cirurgia de obesidade (gastrectomia vertical). Queixa-se de dor abdominal progressiva, principalmente em epigástrio, náuseas com vômitos, inapetência e febre há dois dias. Ao exame, estado geral regular; FC 108 bpm; PA 110 x 70 mmHg; levemente desidratada; com dor à palpação profunda em andar superior do abdome e ausência de sinais de irritação peritoneal.
A pegadinha é minimizar taquicardia e febre após cirurgia bariátrica: pense em fístula até prova em contrário.
Paciente estável faz tomografia; paciente instável ou com peritonite vai para controle operatório.
Endoscopia pode tratar a fístula, mas a tomografia costuma mapear primeiro a complicação abdominal.
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Contexto
Taquicardia, febre, dor epigástrica progressiva, vômitos, leucocitose e proteína C reativa elevada no décimo dia após gastrectomia vertical sugerem complicação pós-operatória, principalmente fístula da linha de grampeamento com coleção perigástrica. Fístulas por mecanismo isquêmico podem aparecer depois do quinto dia, e a taquicardia é um sinal de alarme frequente.
Como a paciente está hemodinamicamente estável e não apresenta peritonite, o próximo passo é tomografia computadorizada de abdome, preferencialmente com contraste intravenoso e contraste oral hidrossolúvel conforme o protocolo local. O exame procura gás ou coleção junto à linha de grampeamento, extravasamento, abscesso, trombose portal e outras causas de abdome agudo. A ausência de extravasamento visível não exclui fístula quando existe coleção típica e quadro clínico compatível.
O tratamento posterior depende da estabilidade e da anatomia: jejum, antibiótico de amplo espectro, suporte, drenagem percutânea, tratamento endoscópico ou cirurgia. Instabilidade, peritonite ou deterioração apesar da ressuscitação exigem exploração urgente.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. A endoscopia pode participar do tratamento ou esclarecer estenose e defeitos luminais, mas não é o primeiro exame para mapear coleções e outras complicações intra-abdominais.
B) Correta (gabarito). A tomografia é o exame inicial mais abrangente na paciente estável, pois identifica fístula, abscesso e a relação das coleções com a linha de grampeamento.
C) Incorreta. Alta após hidratação e antibiótico é insegura diante de sinais sistêmicos de infecção e suspeita de complicação cirúrgica potencialmente grave.
D) Incorreta. Laparotomia imediata é indicada diante de instabilidade, peritonite ou impossibilidade de controle menos invasivo. A estabilidade atual permite definir a anatomia pela tomografia.