Um paciente de 45 anos encontra-se no 3o dia de pós-operatório de enterectomia extensa e jejunostomia por isquemia mesentérica em Unidade de Terapia Intensiva. Está em uso de ventilação mecânica e de drogas vasoativas.
Intestino curto mais choque ou vasopressor significa que a via enteral pode não ser segura nem suficiente.
Nutrição parenteral completa exige acesso central por causa da alta osmolaridade.
Uso de parenteral não encerra a avaliação: a via enteral deve ser retomada quando perfusão e intestino permitirem.
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Contexto
A enterectomia extensa pode deixar superfície absortiva insuficiente e causar falência intestinal aguda, especialmente quando associada a jejunostomia de alto débito. Além disso, o uso de drogas vasoativas indica instabilidade circulatória, situação em que a nutrição enteral deve ser adiada ou iniciada apenas de forma trófica depois que a perfusão estiver controlada, pois alimentação em intestino hipoperfundido aumenta risco de isquemia não oclusiva.
A diretriz prática da ESPEN para nutrição em terapia intensiva de 2023 recomenda preferir a via enteral quando o trato gastrointestinal é funcional e a hemodinâmica está estabilizada. Neste caso, a combinação de ressecção extensa, jejunostomia recente e vasopressores torna improvável atingir necessidades pela via digestiva no momento. A indicação é nutrição parenteral por acesso venoso central, que permite infundir soluções hiperosmolares com aminoácidos, glicose, lipídios, eletrólitos, vitaminas e oligoelementos.
A prescrição deve ser progressiva, com prevenção da síndrome de realimentação, controle de glicemia, triglicerídeos, eletrólitos, função hepática e complicações do cateter. A possibilidade de nutrição enteral ou alimentação oral deve ser reavaliada diariamente assim que a perfusão e a função intestinal permitirem.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. A jejunostomia pode ser utilizada para nutrição enteral quando há intestino remanescente funcional e estabilidade hemodinâmica. No terceiro dia após ressecção extensa, ainda sob drogas vasoativas, essa via pode ser insuficiente ou insegura como fonte principal.
B) Incorreta. O tubo nasogástrico oferece acesso ao estômago, mas não corrige a falência absortiva causada pela enterectomia e continua dependendo de perfusão intestinal adequada.
C) Correta (gabarito). O acesso venoso central é a via apropriada para nutrição parenteral completa em paciente com provável falência intestinal e impossibilidade atual de utilizar o trato gastrointestinal com segurança e eficácia.
D) Incorreta. A sonda nasoentérica ultrapassa o estômago, porém também depende de intestino remanescente perfundido e capaz de absorver nutrientes. Pode ser considerada depois da estabilização, mas não é a via principal neste momento.