Uma gestante de 30 anos, vivendo com HIV, em uso regular de terapia antirretroviral desde o 1o trimestre, apresenta carga viral indetectável no 3o trimestre da gestação. Manifesta dúvidas quanto ao risco de transmissão vertical e às condutas no parto, e questiona sobre a possibilidade de amamentar.
Carga viral indetectável não libera amamentação no protocolo brasileiro.
Com supressão viral, a via de parto pode seguir a indicação obstétrica; HIV isoladamente não obriga cesariana.
A prevenção continua após o nascimento com orientação para não amamentar, fórmula e profilaxia neonatal conforme risco.
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Contexto
Terapia antirretroviral eficaz desde o início da gestação e carga viral indetectável no terceiro trimestre reduzem a transmissão vertical para níveis muito baixos. A via de parto não é determinada apenas pelo diagnóstico de HIV: depende da carga viral próxima ao parto e das condições obstétricas. Com supressão viral adequada, o parto vaginal pode ser conduzido quando obstetricamente apropriado; cesariana eletiva não é obrigatória apenas pelo HIV.
Nas diretrizes brasileiras do Ministério da Saúde, a amamentação permanece contraindicada para mulheres vivendo com HIV, mesmo com carga viral indetectável. O conceito de indetectável igual a intransmissível foi estabelecido para transmissão sexual e não é aplicado pelo protocolo brasileiro ao aleitamento, porque pode haver vírus no leite e ocorrer rebote viral durante a lactação. Deve-se orientar inibição da lactação e garantir fórmula infantil para o recém-nascido, além da profilaxia neonatal definida pelo risco de exposição.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). A alternativa integra corretamente os três pontos: TARV e supressão viral reduzem muito o risco, a via de parto segue critérios obstétricos e virológicos, e a amamentação é contraindicada com oferta de fórmula infantil.
B) Incorreta. Carga viral indetectável não mantém risco vertical elevado e não impõe cesariana eletiva. A cesariana programada é reservada a situações definidas pela carga viral e pela obstetrícia.
C) Incorreta. O risco realmente é baixo e o parto vaginal pode ser adequado, mas não deve ser imposto como prioridade independentemente da obstetrícia. O erro decisivo é autorizar amamentação, conduta não recomendada no Brasil.
D) Incorreta. O desejo da paciente deve orientar decisões compartilhadas dentro das opções seguras, mas não transforma o aleitamento em conduta aceita pelo protocolo brasileiro para HIV.