Em uma Unidade Básica de Saúde, o médico de família e comunidade atende, na mesma semana, 4 crianças entre 7 e 9 anos com quadro de febre baixa, fadiga, náuseas e icterícia há 4 dias. Exames laboratoriais evidenciam anticorpo IgM anti-HAV. A equipe de saúde identifica que todas frequentam a mesma escola, em cuja rua houve um transbordamento de esgoto na semana anterior ao início dos sintomas.
A pegadinha é escolher uma intervenção isolada: surto exige notificação, investigação da fonte e busca ativa.
Casos ligados por tempo, lugar e exposição comum sustentam a investigação de surto.
Profilaxia pós-exposição deve ser avaliada rapidamente, idealmente dentro de 14 dias.
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Contexto
Quatro casos de hepatite A confirmados por IgM anti-HAV, concentrados na mesma escola e após uma exposição comum a esgoto, configuram surto: há casos epidemiologicamente vinculados no mesmo local e período. A transmissão fecal-oral exige resposta articulada entre a Atenção Primária, a vigilância epidemiológica, a vigilância sanitária e a gestão escolar.
A prioridade é notificar imediatamente o surto, construir a linha de casos, realizar busca ativa de sintomáticos na escola e nos domicílios, investigar água e alimentos e reforçar higiene das mãos, saneamento e limpeza de sanitários. A profilaxia pós-exposição deve ser avaliada individualmente e iniciada, quando indicada, idealmente em até 14 dias da exposição. A vacina é preferida para a maioria dos contatos suscetíveis a partir de 12 meses; imunoglobulina é reservada a situações específicas, como contraindicação vacinal, imunossupressão, doença hepática crônica ou maior risco de evolução grave.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Hepatite A não exige isolamento hospitalar rotineiro. A internação depende da gravidade, como insuficiência hepática, desidratação importante ou incapacidade de acompanhamento, e não serve como principal medida de controle comunitário.
B) Correta (gabarito). A notificação imediata e a busca ativa na escola e nos domicílios permitem dimensionar o surto, identificar a fonte comum, reconhecer novos casos e orientar medidas de bloqueio.
C) Incorreta. Imunoglobulina não deve ser prescrita indiscriminadamente a todos os contatos. A escolha entre vacina, imunoglobulina ou ambas depende de idade, imunidade prévia, tempo desde a exposição e condições clínicas.
D) Incorreta. Suspender toda a atividade escolar por 45 dias é medida desproporcional e não substitui investigação epidemiológica, controle sanitário, higiene e profilaxia seletiva dos contatos.