Sigilo médico e consentimento

RevalidaComentada pelo MedBoard
Questão 99
INEP · 2026

Uma adolescente de 15 anos, no 2o trimestre de gestação, sem intercorrências ou doenças associadas, comparece à consulta de pré-natal acompanhada pela mãe. Durante o atendimento, a mãe exige ter acesso ao prontuário da filha e solicita ao médico que realize o agendamento de uma cesariana eletiva, alegando que “a filha não tem estrutura física ou emocional para um parto normal”. A adolescente, por sua vez, expressa o desejo de tentar o parto vaginal.

Diante desse conflito de autonomia e considerando o Guia Prático de Atendimento ao Adolescente e o Código de Ética Médica, qual deve ser a conduta do profissional da saúde?
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

A adolescente tem direito a consulta individual, privacidade, informações adequadas ao desenvolvimento e participação real nas decisões. A Nota Técnica nº 2 do Ministério da Saúde de 2025 reforça autonomia progressiva, sigilo, confidencialidade e não obrigatoriedade de acompanhante em parte do atendimento. O Código de Ética Médica protege o sigilo do adolescente com capacidade de discernimento, salvo quando a não revelação puder causar dano.

A mãe não possui acesso automático e irrestrito a todo o conteúdo confidencial do prontuário quando a adolescente demonstra discernimento. O profissional deve reservar momento privado, avaliar compreensão, explicar riscos e benefícios e estimular diálogo familiar sem entregar informações sigilosas desnecessárias.

A via de parto deve seguir indicação obstétrica e decisão compartilhada. A idade de 15 anos, isoladamente, não indica cesariana nem autoriza ignorar o desejo informado da gestante. Na ausência de contraindicação, o parto vaginal é opção segura e deve ser respeitado. A preferência pode ser revista ao longo do pré-natal conforme evolução clínica, e situações de emergência seguem o princípio de proteção da vida.

Alternativa por alternativa

A) Incorreta. Incapacidade civil não equivale a ausência de autonomia em saúde. A adolescente com discernimento deve participar das decisões, e cesariana não é indicada apenas por idade ou por julgamento genérico de fragilidade física e emocional.

B) Correta (gabarito). O atendimento individualizado permite escuta protegida, avaliação de discernimento e decisão compartilhada. Sem indicação obstétrica de cesariana, a preferência pelo parto vaginal deve ser acolhida e respeitada.

C) Incorreta. Especialistas podem auxiliar diante de dúvida clínica ou sofrimento psíquico, mas não se deve suspender o pré-natal até consenso familiar. O conflito precisa ser trabalhado sem interromper cuidado essencial.

D) Incorreta. Agendar cirurgia para atender à exigência materna viola autonomia progressiva e expõe a gestante a riscos cirúrgicos sem indicação médica. Evitar conflito não justifica procedimento desnecessário.

Bizu MedBoard
  • Menoridade não apaga discernimento nem transforma o responsável em dono das decisões de saúde.

  • Adolescente tem direito a momento privado, confidencialidade e participação informada no pré-natal.

  • Cesárea depende de indicação clínica e decisão compartilhada, não de imposição familiar ou idade isolada.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Sigilo médico e consentimento” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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