Médica da Atenção Primária à Saúde (APS) acompanha uma adolescente de 16 anos com queixas persistentes de insônia, irritabilidade, isolamento social e queda do rendimento escolar. Após avaliação clínica presencial, a profissional realiza uma atividade síncrona, por meio de plataforma institucional, com um médico psiquiatra vinculado a um serviço localizado em outro estado, sem integração formal à rede assistencial da paciente, para discussão técnico-assistencial do caso e apoio à decisão clínica. A atividade ocorre exclusivamente entre os profissionais da saúde, sem a participação da adolescente ou de seus responsáveis na videoconferência.
Profissional conversa com profissional para esclarecer conduta, sem paciente e sem transferência do caso: teleconsultoria.
Teleconsulta é relação direta profissional-paciente; telediagnóstico produz laudo remoto.
Na prova, o critério que separa teleconsultoria de teleinterconsulta é a participação assistencial e a corresponsabilidade do especialista.
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Contexto
A atividade foi síncrona, ocorreu exclusivamente entre profissionais e teve como finalidade discutir o caso e apoiar a decisão da médica da APS. Na organização do Telessaúde Brasil Redes, isso caracteriza teleconsultoria: consulta técnico-assistencial entre trabalhadores da saúde para esclarecer dúvidas sobre manejo, processo de trabalho ou encaminhamento, sem atendimento direto da paciente pelo teleconsultor.
A Lei nº 14.510 de 2022 disciplina a telessaúde no Brasil e exige confidencialidade, proteção de dados e registro adequado. Na teleconsultoria, o profissional que acompanha a paciente continua responsável pela avaliação, prescrição, consentimentos necessários e continuidade do cuidado. O especialista produz orientação consultiva, não assume automaticamente o caso.
A nomenclatura pode variar entre normas profissionais. A Resolução CFM sobre telemedicina também utiliza teleinterconsulta para troca de informações e opiniões entre médicos, com ou sem a presença do paciente. A questão, porém, diferencia as modalidades pela função assistencial: como o psiquiatra externo apenas apoiou a decisão, sem integração formal à rede ou corresponsabilização longitudinal, o enquadramento cobrado é teleconsultoria.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Telediagnóstico é a emissão remota de laudo ou conclusão diagnóstica a partir de exames, imagens ou dados enviados, como eletrocardiograma e retinografia. Discussão clínica entre profissionais não garante diagnóstico fechado nem elimina avaliação assistencial.
B) Incorreta. Teleconsulta pressupõe atendimento remoto direto entre profissional e paciente, com identificação, consentimento e relação assistencial. A adolescente não participou da atividade.
C) Correta (gabarito). A reunião virtual foi uma atividade de apoio técnico entre profissionais. A médica da APS recebe a orientação, integra-a ao contexto da adolescente e mantém a responsabilidade pelo cuidado.
D) Incorreta. Na teleinterconsulta com compartilhamento assistencial, o especialista participa de forma integrada da avaliação e assume corresponsabilidade proporcional por suas recomendações. O enunciado destaca ausência de integração formal e apoio apenas consultivo.