Mulher, 51 anos, comparece à consulta ginecológica na Unidade Básica de Saúde para apresentar mamografia realizada há 1 mês. Não apresenta queixas relacionadas à mama e não possui alterações no exame físico. Nega comorbidades e histórico familiar de doenças mamárias ou oncológicas.

Mamografia bilateral. Mama esquerda: parênquima fibroglandular denso. Presença de calcificações pleomórficas finas, com distribuição segmentar, no quadrante ínfero-medial. Mama direita: parênquima fibroglandular denso. Ausência de achados significativos. Mamografia BI-RADS 4C.
BI-RADS 4 não é acompanhamento: é indicação de diagnóstico tecidual.
Calcificação fina pleomórfica e segmentar sugere processo ductal, especialmente carcinoma ductal in situ.
Controle em seis meses pertence ao BI-RADS 3; BI-RADS 4C tem risco acima de 50%.
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Contexto
A imagem mostra mamas densas e, na mama esquerda, um agrupamento de microcalcificações finas pleomórficas com distribuição segmentar. A morfologia pleomórfica indica partículas de formas e tamanhos variados, e a distribuição segmentar sugere depósito ao longo de um sistema ductal. Essa combinação é particularmente suspeita para carcinoma ductal in situ, embora o diagnóstico definitivo dependa de histologia.
Na classificação BI-RADS do American College of Radiology, a categoria 4 indica anormalidade suspeita com necessidade de diagnóstico tecidual. A subcategoria 4C corresponde a alta suspeição, com probabilidade de malignidade superior a 50% e inferior a 95%. Não é categoria de seguimento radiológico. A paciente deve ser encaminhada a serviço de mastologia ou unidade diagnóstica para correlação das imagens e biópsia percutânea, frequentemente estereotáxica ou assistida a vácuo quando o alvo é composto por calcificações.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Ressonância pode ser útil em situações específicas, como estadiamento após diagnóstico, avaliação de extensão ou alto risco, mas não substitui a biópsia de calcificações BI-RADS 4C. Calcificações são melhor localizadas pela mamografia.
B) Incorreta. Rastreamento habitual é apropriado para exames negativos ou benignos, categorias 1 e 2. Um achado 4C tem risco alto demais para observação.
C) Incorreta. Repetição em seis meses é a conduta típica para BI-RADS 3, provavelmente benigno. Esperar evolução de calcificações pleomórficas segmentares pode atrasar o diagnóstico de neoplasia intraductal.
D) Correta (gabarito). O encaminhamento à mastologia viabiliza investigação histológica rápida, correlação radiológico-patológica e planejamento subsequente de acordo com o resultado.