Em reunião semanal de discussão de casos e planejamento de uma equipe na Unidade Básica de Saúde, a Agente Comunitária de Saúde (ACS) coloca em discussão o caso de uma paciente idosa, 76 anos, hipertensa, diabética, que lhe preocupa por apresentar mudança de comportamento e aparente confusão mental, com fala repetitiva. A paciente tem faltado às consultas agendadas e, na última visita domiciliar, a ACS observou que a casa estava desorganizada, com falta de alimentos e medicamentos vencidos. Vizinhos informaram que, na véspera, a paciente havia saído procurando o marido, falecido há 5 anos. Os níveis glicêmicos e pressóricos estavam descompensados na última consulta médica, realizada há 3 meses.
Idosa confusa que falta às consultas e vive em ambiente inseguro deve ser avaliada no domicílio.
ACS não é apenas mensageira; suas observações territoriais modificam diagnóstico e plano.
Confusão recente exige procurar causa aguda e definir se há necessidade de transferência imediata.
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Contexto
A mudança recente de comportamento, fala repetitiva, procura pelo marido falecido, faltas às consultas, falta de alimentos e medicamentos vencidos indica risco simultaneamente clínico, cognitivo, funcional e social. O quadro pode representar delirium por descompensação metabólica ou infecção, transtorno neurocognitivo, depressão, efeito medicamentoso, autonegligência ou ausência de rede de apoio. Nenhuma dessas hipóteses pode ser resolvida apenas com ajuste remoto de receitas.
A visita domiciliar permite avaliar estado mental, glicemia, pressão, hidratação, uso real dos medicamentos, alimentação, risco de quedas, capacidade para atividades diárias, segurança da moradia e presença de cuidadores. A ACS possui conhecimento territorial indispensável e não atua apenas como transmissora de ordens médicas. Médico, enfermagem, ACS e, conforme a necessidade, assistência social e equipe de saúde mental devem construir um plano compartilhado.
Se houver delirium, hipoglicemia, crise hipertensiva, déficit neurológico, sepse, incapacidade de autocuidado ou risco imediato, a visita deve resultar em encaminhamento urgente. O território informa a decisão clínica, mas não substitui a avaliação de gravidade.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Consulta prioritária na UBS seria aceitável se a paciente conseguisse comparecer com segurança. As faltas repetidas e os sinais de desorganização doméstica mostram que esperar sua ida à unidade pode falhar e perder informações decisivas do contexto.
B) Correta (gabarito). A visita com médico e ACS integra avaliação clínica e territorial no local onde o problema se manifesta. Os achados do domicílio devem participar da elaboração do plano, com ampliação para outros profissionais conforme as necessidades identificadas.
C) Incorreta. Orientações da ACS não substituem avaliação imediata de confusão mental e descompensação clínica. Aguardar 30 dias expõe a paciente a intoxicação medicamentosa, desnutrição, quedas e agravamento de doença aguda.
D) Incorreta. A visita médica é pertinente, mas a alternativa centraliza diagnóstico e plano exclusivamente no médico e reduz a ACS à fiscalização de adesão. Trabalho interdisciplinar envolve troca de saberes, decisão compartilhada e reconhecimento do território como parte do cuidado.