Mulher, 42 anos, G3P3, comparece à consulta ginecológica para apresentar resultado de citologia cervical coletada há 1 mês, assim descrita: • Adequabilidade da amostra: satisfatória • Epitélios representados na amostra: células escamosas, glandulares e metaplásicas. • Microbiologia: mista, constituída por cocos e bacilos. • Diagnóstico descritivo: células glandulares atípicas de significado indeterminado (AGC). Sem queixas no momento. Na última citologia cervical coletada há 3 anos, não havia alterações.
AGC não é resultado para repetir e observar: exige colposcopia e investigação glandular.
Biópsia cervical deve ser dirigida pela colposcopia, não realizada de forma aleatória.
Em paciente com 35 anos ou mais, recomendações atuais incluem avaliação endometrial, sobretudo se houver sangramento ou fatores de risco.
A prova que você vai prestar tem cara própria. Tem tema que cai todo ano e tema que nunca apareceu, e decidir isso no improviso custa as semanas que você não tem.
O MedBoard começa pelo outro lado. Ele pesa cada tema pela banca que você vai prestar, monta o cronograma a partir disso e guarda o que você errou para devolver na hora certa.
Criar conta grátis
Contexto
Células glandulares atípicas de significado indeterminado podem se originar do canal endocervical ou do endométrio e estão associadas a lesões glandulares e escamosas relevantes. Diferentemente de alterações escamosas de baixo risco, AGC não deve ser acompanhada apenas com repetição citológica. A conduta exige avaliação do colo por colposcopia, amostragem endocervical e investigação do endométrio quando indicada.
Nas Diretrizes Brasileiras para o Rastreamento do Câncer do Colo do Útero do INCA, a mulher com AGC deve ser encaminhada à colposcopia, com nova coleta e investigação do canal endocervical. A avaliação do trato genital superior ganha importância após os 35 anos e diante de sangramento uterino anormal ou fatores de risco endometrial. A ultrassonografia transvaginal pode avaliar espessura e lesões intracavitárias, mas não substitui histologia quando há indicação de amostragem endometrial.
Há uma limitação nas alternativas. A opção C é a melhor porque inclui colposcopia e investigação uterina. Recomendações internacionais atuais, entretanto, seriam mais completas ao indicar amostragem endometrial aos 42 anos, não apenas ultrassonografia. O gabarito permanece C porque nenhuma outra opção reúne avaliação cervical dirigida e estudo do possível sítio glandular superior.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. O teste para HPV pode contribuir para estratificação, mas resultado negativo não elimina o risco associado a AGC. Repetir citologia em seis meses sem avaliação colposcópica pode atrasar diagnóstico de adenocarcinoma ou lesão precursora.
B) Incorreta. Cauterização é tratamento destrutivo e não deve ser realizada antes de esclarecer a origem da atipia. Além de não tratar possível doença endocervical ou endometrial, pode prejudicar a avaliação subsequente.
C) Correta (gabarito). A colposcopia permite localizar e biopsiar alterações cervicais, enquanto a ultrassonografia inicia a avaliação da cavidade uterina. Na prática atual, deve-se acrescentar amostragem endocervical e considerar avaliação histológica endometrial pela idade.
D) Incorreta. Biópsia cervical não deve ser feita às cegas antes da colposcopia. A biópsia é dirigida às áreas suspeitas identificadas no exame, e a alternativa também não contempla adequadamente a possível origem endometrial.