Puérpera, 24 anos, imigrante recém-chegada ao Brasil, é admitida na maternidade 30 minutos após parto extra-hospitalar. Relata que o parto ocorreu rapidamente, sendo a placenta completamente expulsa alguns minutos após. Ao exame inicial, apresenta-se hemodinamicamente estável e com útero contraído, apesar de manter sangramento vaginal moderado. Ao exame do canal de parto, identifica-se laceração perineal envolvendo pele, mucosa vaginal e musculatura perineal, sem acometimento do esfíncter anal ou da mucosa retal. A paciente demonstra ansiedade, dificuldade de compreensão do idioma e questiona repetidamente o que será feito.
Segundo grau significa músculo perineal lesado, mas esfíncter anal preservado.
Reparo necessário não elimina consentimento, explicação e analgesia.
Barreira de idioma pede adaptação da comunicação, não redução da autonomia.
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Contexto
A laceração descrita envolve pele, mucosa vaginal e musculatura perineal, sem atingir o complexo esfincteriano anal. Isso define laceração perineal de segundo grau. A classificação anatômica discrimina a conduta:
Como há lesão muscular e sangramento persistente, o reparo deve ser realizado com técnica adequada e analgesia ou anestesia efetiva, habitualmente por infiltração local. A assistência humanizada recomendada pela OMS e pelas Diretrizes Nacionais de Assistência ao Parto Normal do Ministério da Saúde exige informação compreensível, oportunidade para perguntas e consentimento antes do procedimento, salvo emergência incapacitante. A barreira linguística aumenta o dever de adaptar a comunicação, recorrendo a intérprete ou mediador qualificado quando disponível, sem excluir a puérpera das decisões.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Lacerações superficiais, sem sangramento e com bordas bem aproximadas podem, em situações selecionadas, cicatrizar sem sutura. Não é o caso de uma lesão de segundo grau com acometimento muscular e sangramento moderado.
B) Incorreta. O reparo é indicado, mas a estabilidade hemodinâmica permite explicar o diagnóstico, oferecer analgesia e obter consentimento antes de suturar. Realizar o procedimento primeiro, sem comunicação acessível, viola autonomia e cuidado respeitoso.
C) Correta (gabarito). A melhor conduta reúne os dois componentes necessários: reparar a laceração de segundo grau com anestesia local para controlar o sangramento e restaurar a anatomia, e garantir comunicação acessível e consentimento da puérpera.
D) Incorreta. Centro cirúrgico e anestesia geral são reservados para lesões extensas, comprometimento esfincteriano ou retal, sangramento de difícil controle, instabilidade ou impossibilidade técnica de reparo adequado à beira do leito. Nenhum desses critérios foi apresentado.