Puerpério normal e patológico

RevalidaComentada pelo MedBoard
Questão 64
INEP · 2026

Puérpera, 21 anos, é acolhida Unidade Básica de Saúde, após o nascimento da filha, há dez dias. Relata que pensa em entregar a filha para a avó cuidar, uma vez que se sente “sugada” pela recém-nascida, e sente momentos de tristeza ao longo do dia, quando se questiona se deveria ter engravidado ou não, desejando interromper a amamentação, voltar a trabalhar e, principalmente, não estar com a filha. Sente-se muito culpada por pensar dessa maneira e envergonhada por não conseguir ser uma “boa mãe”. Queixa-se também do sono, pois as noites maldormidas a deixam mais irritada. Está ainda mais preocupada, pois nunca se sentiu assim.

Qual é a conduta mais adequada para esse caso?
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

Tristeza, irritabilidade, choro fácil, culpa, insegurança materna e labilidade emocional nos primeiros dias após o parto podem compor o blues puerperal. Ele costuma começar entre o segundo e o quinto dia, relaciona-se a alterações hormonais, privação de sono e adaptação ao cuidado e tende a desaparecer espontaneamente até cerca de duas semanas.

A intensidade da ambivalência e o desejo de afastar-se da filha exigem avaliação cuidadosa, mesmo no décimo dia. A equipe deve perguntar diretamente sobre pensamentos de morte, suicídio, agressão ao bebê, alucinações, delírios, desorganização, incapacidade de alimentar ou proteger a recém-nascida e disponibilidade de apoio. A OMS, nas recomendações de cuidado pós-natal de 2022, enfatiza suporte psicossocial e acompanhamento da saúde mental no puerpério.

Na ausência de risco ou psicose, a primeira conduta é acolhimento, redução da culpa, organização de ajuda prática, apoio à alimentação do bebê e retorno próximo. Persistência por mais de duas semanas, piora ou prejuízo funcional importante sugere depressão pós-parto e exige tratamento estruturado. Antidepressivo pode ser indicado após diagnóstico e avaliação de gravidade, mas não deve substituir a abordagem inicial.

Alternativa por alternativa

A) Correta (gabarito). Apoio psicossocial permite escuta, avaliação de risco, fortalecimento da rede familiar, alívio da sobrecarga e seguimento próximo. É a melhor conduta inicial para sofrimento no puerpério precoce sem psicose ou risco descrito.

B) Incorreta. Fluoxetina não deve ser iniciada automaticamente diante de sintomas com dez dias de duração. Se depressão pós-parto for confirmada e houver indicação farmacológica, a escolha considera resposta prévia, gravidade e amamentação; sertralina costuma ter menor passagem para o leite.

C) Incorreta. CAPS é indicado para sofrimento mental grave e persistente, psicose, risco relevante ou necessidade de cuidado intensivo territorial. O caso deve primeiro ser avaliado e acompanhado na APS, com encaminhamento proporcional à gravidade.

D) Incorreta. Clonazepam não trata o núcleo depressivo ou a adaptação puerperal, pode causar sedação, dependência e prejudicar a vigilância necessária ao cuidado da recém-nascida.

Bizu MedBoard
  • Blues puerperal tende a resolver até duas semanas; duração maior ou piora faz pensar em depressão.

  • Mesmo no blues, sempre investigue suicídio, dano ao bebê e sintomas psicóticos.

  • A primeira intervenção é suporte, sono possível, divisão do cuidado e acompanhamento próximo, não medicalização automática.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Puerpério normal e patológico” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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