Doença renal crônica

RevalidaComentada pelo MedBoard
Questão 86
INEP · 2026

Mulher, 82 anos, em acompanhamento pela equipe de Saúde da Família devido à doença coronariana crônica, insuficiência cardíaca com fração de ejeção do ventrículo esquerdo de 53% e doença renal crônica (clearance de creatinina 42 mL/min, VR: 60 a 100 mL/min), em uso de losartana, metoprolol, espironolactona, AAS e rosuvastatina. Durante a consulta médica de acompanhamento, a paciente relata alguns episódios de tontura ao levantar e fadiga nos últimos dias.

Além da monitorização da PA, qual estratégia deve ser adotada no plano terapêutico?
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

Fração de ejeção de 53% situa a paciente na faixa de insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada. Tontura ao levantar sugere hipotensão ortostática ou redução excessiva da pressão, e fadiga pode refletir bradicardia, hipovolemia, distúrbio eletrolítico, anemia, isquemia ou progressão da insuficiência cardíaca. Em uma pessoa de 82 anos com clearance de 42 mL/min, o plano deve priorizar revisão de indicação, dose, tolerabilidade e função renal, sem retirar abruptamente medicamentos benéficos.

Além de medir pressão deitada e após um e três minutos em pé, devem ser avaliados frequência cardíaca, peso, congestão, ingestão, creatinina e potássio. Losartana e espironolactona podem contribuir para hipotensão, hipercalemia e piora renal; metoprolol pode causar bradicardia e fadiga, mas também protege na doença coronariana. O ajuste deve identificar o agente responsável e reduzir a menor dose necessária, com reavaliação próxima.

Digoxina não é tratamento para hipotensão ortostática e tem margem terapêutica estreita, especialmente em idosas com doença renal. Sacubitril-valsartana pode ser considerado em pacientes selecionados no espectro de fração de ejeção mais baixa, mas não é resposta imediata para sintomas de intolerância e pode agravar a hipotensão.

Alternativa por alternativa

A) Correta (gabarito). Preservar as terapias com indicação cardiovascular, ajustando doses de acordo com pressão ortostática, frequência, volume, função renal e potássio, equilibra benefício e segurança.

B) Incorreta. Digoxina não alivia a causa provável da tontura e não tem indicação rotineira na insuficiência cardíaca com fração preservada em ritmo sinusal. Clearance reduzido aumenta risco de náuseas, arritmias e neurotoxicidade.

C) Incorreta. A substituição por sacubitril-valsartana exige indicação específica e pressão tolerável. Em paciente já sintomática ao levantar, a troca pode intensificar hipotensão e não deve preceder a avaliação.

D) Incorreta. Suspender abruptamente metoprolol pode precipitar taquicardia, angina ou evento isquêmico em paciente coronariana. Se bradicardia ou intolerância forem confirmadas, a conduta é redução gradual e individualizada.

Bizu MedBoard
  • No idoso com tontura, não escolha um culpado por intuição: meça ortostatismo, frequência, volume, creatinina e potássio.

  • Benefício cardiovascular não impede ajuste de dose quando a tolerabilidade muda.

  • Digoxina acumula na doença renal e não é solução para fadiga inespecífica em fração de ejeção preservada.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Doença renal crônica” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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