Atenção primária: princípios e atributos

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Questão 84
INEP · 2026

João, 68 anos, apresenta insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida, diabetes mellitus tipo 2 e doença renal crônica estágio 3a. Após o último internamento, por piora da insuficiência cardíaca, recebeu alta hospitalar com ajustes terapêuticos e orientação para monitoramento clínico frequente nas primeiras semanas após a alta. A equipe hospitalar realizou contato com a Atenção Primária à Saúde (APS) do território comunicando a alta, mas não o encaminhou para seguimento ambulatorial especializado.

Que estratégia deve ser priorizada pela equipe da APS para garantir a continuidade, a segurança do cuidado e a articulação efetiva da rede?
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

A transição após internação por insuficiência cardíaca é um período de alto risco para descompensação, eventos adversos por medicamentos e nova internação. A Atenção Primária à Saúde deve exercer coordenação do cuidado e responsabilidade longitudinal, recebendo as informações hospitalares, conciliando medicamentos e organizando acompanhamento precoce, sem esperar encaminhamento especializado para começar.

A primeira revisão deve verificar peso, congestão, pressão, frequência cardíaca, sintomas, adesão, alimentação, acesso aos medicamentos e sinais de alarme. Como há doença renal crônica e diabetes, creatinina, potássio e função renal precisam ser acompanhados após ajustes de bloqueadores do sistema renina-angiotensina, antagonistas da aldosterona, diuréticos ou inibidores de SGLT2. Especialistas, cardiologia, nefrologia, nutrição, enfermagem, farmácia e atenção domiciliar são acionados conforme necessidade, mas permanecem articulados pela APS.

Encaminhar pode ser necessário por instabilidade, dúvida diagnóstica, refratariedade ou terapias avançadas. Isso não transforma a APS em mera executora de prescrições externas nem suspende seu seguimento até que o especialista estabilize o paciente.

Alternativa por alternativa

A) Correta (gabarito). Revisar o plano hospitalar, conciliá-lo com a realidade do paciente e estruturar seguimento na APS, articulando outros pontos conforme evolução, garante continuidade, segurança e coordenação da rede.

B) Incorreta. Consulta especializada prioritária pode ser indicada, mas não deve ser a resposta automática nem colocar a APS como simples apoio operacional. A coordenação e a decisão compartilhada continuam no território.

C) Incorreta. Transferir o início do acompanhamento ao ambulatório de especialidades cria uma lacuna justamente nas primeiras semanas de maior risco. A APS não deve esperar estabilização para assumir longitudinalidade.

D) Incorreta. Visita domiciliar pode ser útil se houver barreira de acesso ou fragilidade, mas não substitui um plano longitudinal. Programar retorno à APS apenas depois da estabilização abandona sua função coordenadora.

Bizu MedBoard
  • Alta hospitalar não transfere o paciente para um vazio assistencial: a APS assume cedo e coordena a rede.

  • Conciliação medicamentosa e controle de creatinina e potássio são centrais após ajuste de tratamento da insuficiência cardíaca.

  • Encaminhar ao especialista não significa entregar a coordenação do caso.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Atenção primária: princípios e atributos” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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