Lesões precursoras do colo uterino

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Questão 76
INEP · 2026

Homem trans, 30 anos, em uso de testosterona injetável há 6 anos, comparece à Unidade Básica de Saúde para consulta de rotina. Ele possui útero e colo uterino e nunca realizou exame citopatológico, devido a medo da dor e a desconforto com o procedimento. Ao exame físico, observa-se atrofia genital importante. O paciente deseja realizar o exame preventivo. No município ainda não está implantada a detecção de DNA-HPV.

Nesse caso, a conduta adequada, com a respectiva justificativa, é
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

O rastreamento do câncer do colo uterino é determinado pelos órgãos presentes, não pela identidade de gênero. Um homem trans que mantém colo uterino permanece suscetível à infecção persistente por HPV e às lesões precursoras. Como o município ainda não utiliza teste primário de DNA-HPV, deve-se oferecer citologia segundo a faixa etária e o protocolo local.

A testosterona prolongada provoca hipoestrogenismo local, com atrofia vaginal e cervical, ressecamento, menor elasticidade, dor e maior frequência de amostras citológicas insatisfatórias. Quando o paciente deseja o exame e apresenta atrofia importante, um curto curso de estrogênio tópico vaginal por uma a duas semanas pode melhorar o trofismo e facilitar a coleta, com baixa exposição sistêmica. A decisão deve ser compartilhada, porque algumas pessoas podem sentir desconforto emocional com o uso de estrogênio.

Outras adaptações incluem explicar cada etapa, permitir interrupção a qualquer momento, usar espéculo menor, oferecer auto inserção do espéculo, empregar pequena quantidade de lubrificante e respeitar o nome e os pronomes do paciente. A vacinação contra HPV continua útil quando indicada, mas não substitui rastreamento.

Alternativa por alternativa

A) Correta (gabarito). O estrogênio tópico por período curto reduz atrofia, dor e chance de amostra inadequada, permitindo que o rastreamento seja realizado com maior conforto e qualidade.

B) Incorreta. A testosterona pode atrofiar a zona de transformação, mas não elimina o epitélio cervical nem o risco de neoplasia. O exame pode ser recusado após decisão informada, mas não deve ser apresentado como desnecessário por causa da hormonização.

C) Incorreta. Velas de Hegar são instrumentos de dilatação cervical ou uterina usados em procedimentos ginecológicos, não método preparatório rotineiro para citologia. Seu uso seria invasivo, doloroso e desproporcional.

D) Incorreta. A vacina previne novas infecções pelos tipos incluídos, mas não trata infecção preexistente nem substitui o rastreamento de quem possui colo uterino.

Bizu MedBoard
  • Quem tem colo uterino precisa ser incluído no rastreamento, independentemente da identidade de gênero.

  • Testosterona causa atrofia e aumenta dor e amostras insatisfatórias; estrogênio tópico curto pode facilitar a coleta.

  • Vacina contra HPV e exame preventivo são estratégias complementares, não equivalentes.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Lesões precursoras do colo uterino” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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