Jovem de 21 anos iniciou acompanhamento pré-natal em unidade de saúde da família na primeira semana de dezembro de 2017, tendo informado DUM em 28/08/2017. A gestação evoluiu sem intercorrências até maio de 2018, quando a gestante viajou para o interior do estado do Rio de Janeiro e interrompeu seu pré-natal. Ao retomar, em 28/06/2018, procurou a emergência da maternidade para atualizar seu acompanhamento. No momento do atendimento, a paciente se encontrava sem queixas, com sinais vitais normais e rotina pré-natal de primeiro trimestre sem alterações. As ultrassonografias realizadas durante a gravidez apresentaram os seguintes resultados: 18/11/2017 = IG de 10 semanas; 20/02/2018 = IG de 22 semanas; 29/05/2018 = IG de 35 semanas e 1 dia. Durante o atendimento, foi realizada Cardiotocografia (CTG) que apresentou o seguinte traçado.

Pegadinha central: não use a ultrassonografia mais recente; use a datação mais precoce e confiável.
Primeiro trimestre com CRL é a melhor janela de datação, com precisão de aproximadamente 5 a 7 dias.
Uma vez definida a DPP por método confiável, biometria tardia serve para avaliar crescimento, não para ficar mudando a idade gestacional.
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Contexto
A datação gestacional deve ser estabelecida o mais cedo possível e, uma vez definida adequadamente, não deve ser modificada por ultrassonografias tardias apenas porque a biometria fetal divergiu. O ACOG Committee Opinion 700 considera a ultrassonografia do primeiro trimestre, até 13 semanas e 6 dias, o método mais acurado para confirmar ou estabelecer a idade gestacional, com precisão aproximada de 5 a 7 dias quando baseada no comprimento cabeça-nádega.
Neste caso, a DUM de 28/08/2017 corresponderia a aproximadamente 11 semanas e 5 dias em 18/11/2017, enquanto a primeira ultrassonografia estimou 10 semanas. A discrepância é de cerca de 12 dias. Entre 9 semanas e 13 semanas e 6 dias, diferença superior a 7 dias é suficiente para redatar pela ultrassonografia. Por isso, a USG de 18/11/2017 deve ser adotada como referência.
Usando a ultrassonografia de 18/11, que marcava 10 semanas, transcorreram 31 semanas e 5 dias até 28/06/2018. A idade gestacional estimada no atendimento é, portanto, aproximadamente 41 semanas e 5 dias. As ultrassonografias de 22 e 35 semanas não devem substituir uma datação confiável de primeiro trimestre, pois a margem de erro aumenta progressivamente com a gestação.
A cardiotocografia anexada ao enunciado não interfere na escolha do método de datação. Ela avalia bem-estar fetal naquele momento, não redefine idade gestacional.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. A DUM é útil quando confiável e concordante com a ultrassonografia precoce. Aqui, sua estimativa difere em cerca de 12 dias da USG de primeiro trimestre, ultrapassando o limite para redatação.
B) Correta (gabarito). A ultrassonografia de 18/11/2017 foi realizada no primeiro trimestre, com 10 semanas, e é o exame mais preciso disponível para estabelecer a idade gestacional. A discrepância com a DUM é suficientemente grande para priorizá-la.
C) Incorreta. A ultrassonografia de 22 semanas tem margem de erro maior, em torno de 10 a 14 dias nessa faixa, e não deve substituir uma datação já estabelecida no primeiro trimestre.
D) Incorreta. A ultrassonografia de 35 semanas é a menos confiável para datar a gestação, com erro que pode alcançar aproximadamente 3 a 4 semanas. Usá-la para redatar pode confundir alteração de crescimento fetal com erro de idade gestacional.