Infecções sexualmente transmissíveis

Acesso diretoQuestão anulada pela bancaComentada pelo MedBoard
Questão 1
UERJ · 2019

Homem de 46 anos procurou atendimento médico com história de contato sexual sem proteção há cinco dias. Apresenta queixa de ardência e secreção uretral mucoide e levemente amarelada. Ao exame físico, havia linfadenopatia ou ulceração genital. Foi realizado bacterioscopia da secreção uretral que revelou 10 a 15 leucócitos por campo e diplococos Gram-negativos extra e intracelulares. A cultura para Chlamydia trachomatis era negativa.

Nesse caso, a melhor conduta terapêutica deve ser:
Esta questão foi anulada pela banca, então não existe alternativa correta. O comentário abaixo explica o que ela cobrava e por que não se sustentou.
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

O quadro é de uretrite gonocócica: corrimento uretral associado a reação inflamatória e visualização de diplococos Gram-negativos intracelulares em secreção uretral é altamente sugestivo de Neisseria gonorrhoeae. O ponto que discrimina a questão é a dose da ceftriaxona. O PCDT para IST do Ministério da Saúde de 2022 recomenda, para infecção gonocócica não complicada, ceftriaxona 500 mg IM em dose única associada a azitromicina 1 g VO em dose única. O CDC, nas STI Treatment Guidelines de 2021 ainda vigentes, recomenda ceftriaxona 500 mg IM em dose única para pessoas com menos de 150 kg e acrescenta tratamento para clamídia apenas quando ela não foi excluída.

Nenhuma alternativa oferece ceftriaxona 500 mg. Isso explica a anulação oficial. O esquema com ceftriaxona 250 mg mais azitromicina 1 g foi uma recomendação histórica do CDC, mas deixou de ser o regime atual. Além disso, quinolonas não devem ser usadas empiricamente para gonorreia devido à resistência, salvo situações específicas guiadas por demonstração de suscetibilidade.

Alternativa por alternativa

A) Incorreta. Azitromicina isolada não é tratamento adequado da gonorreia. A resistência do gonococo e a necessidade de uma cefalosporina eficaz impedem que 1 g de azitromicina em monoterapia seja considerado esquema apropriado.

B) Incorreta. Ceftriaxona é o fármaco central, mas 250 mg é dose inferior à recomendação atual de 500 mg para gonorreia não complicada. Esse esquema existiu em referências anteriores, o que constitui a principal pegadinha temporal da questão.

C) Incorreta. A combinação ceftriaxona 250 mg mais azitromicina 1 g corresponde a um esquema histórico de dupla terapia. Atualmente, a dose de ceftriaxona é 500 mg. Como a questão foi oficialmente anulada, não se deve transformar esta alternativa em gabarito retrospectivamente.

D) Incorreta. Ciprofloxacino não é opção empírica segura para gonorreia devido à resistência disseminada, e a dose descrita de 1.000 mg também não corresponde ao esquema clássico baseado em suscetibilidade. A associação com azitromicina não corrige esse problema.

Bizu MedBoard
  • Pegadinha central: diplococo Gram-negativo intracelular fecha gonococo, mas a dose oferecida de ceftriaxona pode denunciar uma questão desatualizada.

  • Para a prova atual, memorize ceftriaxona 500 mg IM em dose única como dose de referência para gonorreia não complicada em adultos com menos de 150 kg.

  • Depois de infecção gonocócica, manejo de parcerias sexuais, testagem para outras IST e orientação para evitar relações até tratamento adequado fazem parte da conduta.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Infecções sexualmente transmissíveis” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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