Incontinência urinária feminina

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Questão 34
UERJ · 2019

Mãe leva menina de 8 anos à consulta pediátrica porque a criança está sempre com urina na roupa íntima, referindo que, apesar de já controlar a micção desde os 3 anos, a criança pula de uma perna para outra para evitar perder urina. A responsável alega frequência urinária de seis vezes ao dia, de pequeno volume e sem manobra de contenção; evacuação duas vezes por semana (Bristol 2), sem esforço; nega dor, febre e alteração do desenvolvimento neuropsicomotor; durante a noite, não há perda frequente de urina. A menina tem bom rendimento escolar e bom relacionamento familiar. Não há alterações ao exame físico.

Nesse caso, o provável disgnóstico é de:
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

A menina apresenta incontinência urinária diurna acompanhada de comportamento de contenção, descrito como pular de uma perna para outra para evitar a perda, e elimina pequenos volumes. Em criança neurologicamente normal, esse conjunto é compatível com bexiga hiperativa, síndrome clínica definida principalmente por urgência urinária, com ou sem incontinência de urgência, geralmente associada a aumento da frequência miccional.

A International Consultation on Incontinence de 2024 descreve como típicas as manobras de contenção realizadas para suprimir a urgência, como cruzar as pernas, agachar ou fazer a chamada reverência de Vincent. Embora o enunciado posteriormente diga que não há manobra de contenção, a descrição de pular de uma perna para outra para impedir a perda é, na prática, uma manobra de contenção.

Há ainda constipação relevante, com apenas duas evacuações por semana e fezes Bristol 2. Disfunção vesical e intestinal frequentemente coexistem em pediatria, e a constipação pode agravar urgência e incontinência. O tratamento inicial costuma incluir uroterapia, micções programadas, hidratação adequada e tratamento simultâneo da constipação.

Alternativa por alternativa

A) Correta (gabarito). Urgência implícita pelas manobras de contenção, perdas diurnas e pequenos volumes em criança sem doença neurológica são compatíveis com bexiga hiperativa. A constipação associada reforça o espectro de disfunção vesical e intestinal.

B) Incorreta. Bexiga neurogênica exige suspeita de alteração do sistema nervoso, como disrafismo, lesão medular ou anormalidades neurológicas e sacrais. O desenvolvimento e o exame físico são normais.

C) Incorreta. Postergação da micção caracteriza hábito voluntário de adiar idas ao banheiro, geralmente com baixa frequência miccional e longos intervalos. Aqui predominam perdas associadas à necessidade de conter a micção e pequenos volumes.

D) Incorreta. Insuficiência esfincteriana produz perda por incompetência do mecanismo de fechamento, frequentemente mais contínua ou relacionada ao esforço conforme a etiologia, e não o padrão de urgência e contenção apresentado.

Bizu MedBoard
  • Pegadinha central: cruzar pernas, agachar ou pular para não urinar são manobras de contenção e apontam para urgência.

  • Bexiga hiperativa em criança é diagnóstico clínico baseado em urgência, com ou sem incontinência, na ausência de causa neurológica identificada.

  • Constipação deve ser procurada e tratada junto com os sintomas urinários.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Incontinência urinária feminina” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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