Jovem de 21 anos iniciou acompanhamento pré-natal em unidade de saúde da família na primeira semana de dezembro de 2017, tendo informado DUM em 28/08/2017. A gestação evoluiu sem intercorrências até maior de 2018, quando a gestante viajou para o interior do estado do Rio de Janeiro e interrompeu seu pré-natal. Ao retornar em 28/06/2018, procurou a emergência da maternidade para atualizar seu acompanhamento. No momento do atendimento, a paciente se encontrava sem queixas, com sinais vitais normais e rotina pré-natal de primeiro trimestre sem alterações. As ultrassonografias realizadas durante a gravidez, apresentaram os seguintes resultados: 18/11/2017 = IG de 10 semanas; 20/02/2018 = IG de 22 semanas; 29/05/2018 = IG de 35 semanas e 1 dia. Durante o atendimento, foi realizada Cardiotocografia (CTG) que apresentou o seguinte traçado.

Pegadinha central: variável lembra cordão; precoce lembra cabeça; tardia lembra insuficiência de oxigenação uteroplacentária.
Na imagem, a queda abrupta e profunda com recuperação favorece desaceleração variável ou prolongada por compressão funicular.
Oligodrâmnio facilita compressão do cordão, mas é diagnóstico ultrassonográfico, não cardiotocográfico.
Uma desaceleração isolada não equivale a acidose fetal; interprete linha de base, variabilidade, repetição e evolução do traçado.
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Contexto
Na imagem Q63-img1, a linha superior mostra frequência cardíaca fetal com linha de base em torno de 140 a 150 bpm e variabilidade preservada antes do evento. Em seguida ocorre desaceleração profunda, de morfologia variável e prolongada, com queda aproximada para 70 a 80 bpm e recuperação para a linha de base. A relação temporal e a forma não reproduzem de maneira uniforme a contração registrada na linha inferior, favorecendo mecanismo de compressão do cordão umbilical.
Diretrizes contemporâneas de monitorização fetal, como NICE NG229 atualizada em 2026, reconhecem que desacelerações variáveis são geralmente consequência de compressão funicular. O oligodrâmnio reduz o colchão de líquido ao redor do cordão e facilita sua compressão, razão pela qual a prova associa esse traçado a oligodrâmnio.
Há uma distinção importante: cardiotocografia não diagnostica oligodrâmnio. Ela pode mostrar um padrão compatível com compressão do cordão que sugere essa possibilidade clínica. O diagnóstico de oligodrâmnio é ultrassonográfico, classicamente com maior bolsão vertical inferior a 2 cm ou índice de líquido amniótico igual ou inferior a 5 cm, conforme o método utilizado.
Da mesma forma, uma desaceleração isolada não permite afirmar acidose fetal. Risco de hipoxia e acidemia aumenta quando desacelerações persistem e se associam a sinais como perda de variabilidade, elevação da linha de base, taquicardia ou bradicardia prolongada. Na imagem, há recuperação do traçado após o evento.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. O traçado não é inteiramente tranquilizador porque apresenta desaceleração profunda e prolongada. A variabilidade preservada e a recuperação são elementos favoráveis, mas não autorizam classificá-lo simplesmente como boa vitalidade fetal.
B) Incorreta. Manobra vagal não é um diagnóstico etiológico padrão para esse padrão cardiotocográfico. Compressão de cabeça pode gerar desacelerações precoces, enquanto compressão do cordão produz desacelerações variáveis.
C) Incorreta. Cardiotocografia estima risco de comprometimento fetal, mas não diagnostica acidose diretamente. Acidose torna-se mais provável em padrões persistentemente patológicos, sobretudo quando há redução ou ausência de variabilidade associada a desacelerações recorrentes.
D) Correta (gabarito). A desaceleração variável e profunda observada é compatível com compressão funicular, fenômeno favorecido pelo oligodrâmnio. O gabarito expressa a condição clínica associada ao padrão, embora a confirmação do volume de líquido dependa de ultrassonografia.