Idoso de 70 anos queixa-se de que nos últimos três anos apresenta disfagia alta, regurgitação de alimentos não digeridos e halitose. Ele refere que os sintomas estão se agravando progressivamente.
Pegadinha central: disfagia alta mais halitose mais regurgitação de alimento não digerido aponta para Zenker, não para acalasia.
Zenker nasce tipicamente no triângulo de Killian por mecanismo de pulsão.
O exame clássico é esofagografia contrastada; endoscopia não deve ser a primeira manobra diagnóstica em uma suspeita forte.
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Contexto
Disfagia cervical progressiva, regurgitação de alimento não digerido e halitose em idoso formam a tríade clássica do divertículo de Zenker. Trata-se de um pseudodivertículo de pulsão que surge posteriormente na hipofaringe, geralmente pela área de fraqueza conhecida como triângulo de Killian, entre as fibras do constritor inferior da faringe e do músculo cricofaríngeo.
O mecanismo está relacionado à disfunção do esfíncter esofagiano superior, com aumento da pressão durante a deglutição e herniação de mucosa e submucosa. O alimento pode permanecer retido na bolsa, explicando regurgitação tardia de alimento não digerido, halitose, tosse e risco de broncoaspiração.
O melhor exame para estabelecer o diagnóstico é a esofagografia contrastada com bário, idealmente com avaliação dinâmica da deglutição. Ela demonstra diretamente a bolsa, seu tamanho, localização e comunicação com a luz. A endoscopia pode ser necessária no planejamento terapêutico, mas não é o primeiro exame para confirmar a suspeita e deve ser realizada com cautela pela possibilidade de entrada inadvertida no divertículo e perfuração.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). A esofagografia contrastada evidencia diretamente o divertículo e sua relação com a hipofaringe e o esôfago cervical. É o exame que melhor confirma a suspeita clínica de Zenker.
B) Incorreta. Esofagomanometria é útil principalmente para distúrbios motores, como acalasia e espasmos, mas não é o exame de escolha para demonstrar a bolsa diverticular.
C) Incorreta. Endoscopia pode complementar a avaliação e excluir outras lesões, porém não é o melhor exame inicial para Zenker. A introdução inadvertida do aparelho no divertículo aumenta o risco de perfuração.
D) Incorreta. pHmetria de 24 horas quantifica exposição esofágica ao refluxo ácido e é utilizada em contextos selecionados de doença do refluxo, não para diagnosticar divertículo faringoesofágico.