Usuária de drogas, na 36a semana de gravidez, dá entrada na emergência com quadro de sangramento escuro, volumoso, de início há 30 minutos, associado à forte dor abdominal. Ao exame físico: PA = 150 x 100 mmHg; FC = 115 bpm; AFU = 30 cm; metrossístoles 7/10'/60"; BCF = 85 bpm.
Pegadinha central: DPP dói e contrai; placenta prévia sangra tipicamente sem dor e com útero relaxado.
Hipertensão e cocaína são fatores clássicos de risco para DPP.
O volume de sangramento vaginal pode subestimar a perda total porque parte do sangue pode permanecer retroplacentária.
Ultrassonografia negativa não exclui DPP quando o quadro clínico é típico.
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Contexto
O quadro é clássico de descolamento prematuro de placenta: sangramento vaginal escuro, dor abdominal intensa, hipertensão, atividade uterina excessiva e bradicardia fetal. O descolamento corresponde à separação parcial ou total de uma placenta normalmente implantada antes do nascimento.
Hipertensão materna é um dos principais fatores de risco. Uso de cocaína e outros estimulantes também aumenta o risco por vasoconstrição e alterações agudas da perfusão placentária. O sangramento pode ser externo ou permanecer oculto atrás da placenta, por isso o volume vaginal visível não reflete necessariamente a gravidade da hemorragia.
A paciente apresenta 7 contrações em 10 minutos, configurando taquissistolia, além de BCF de 85 bpm, indicativo de comprometimento fetal grave. Em um quadro clínico típico, o diagnóstico é essencialmente clínico e a ultrassonografia normal não exclui DPP. Ressuscitação materna e resolução rápida da gestação são prioridades quando há instabilidade ou sofrimento fetal.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). Sangramento doloroso, hipertonia ou hiperatividade uterina e sofrimento fetal em gestante hipertensa e usuária de drogas formam a apresentação típica de descolamento prematuro de placenta.
B) Incorreta. Rotura de vasa prévia costuma ocorrer após rotura das membranas e provoca hemorragia de origem fetal, frequentemente acompanhada de bradicardia súbita, mas sem dor materna e sem hipertonia uterina característica.
C) Incorreta. Placenta prévia produz classicamente sangramento vermelho vivo, recorrente e indolor, com útero relaxado. O toque vaginal digital deve ser evitado até excluir placenta prévia quando essa hipótese é relevante.
D) Incorreta. Rotura uterina costuma ocorrer em contexto de cicatriz uterina ou trabalho de parto obstruído e pode causar dor súbita, perda da apresentação fetal, alteração do contorno uterino e cessação das contrações, achados não descritos.