Lactente com sete meses, diagnosticado com síndrome do intestino curto: está internado desde o nascimento. Por dificuldade de acesso venoso, não foi possível manter terapêutica regular com nutrição parenteral no último mês. Há 15 dias, vem apresentando lesões vesicobolhosas em região periorificial e cotovelos, além de alopécia e conjuntivite.
Pegadinha central: dermatite periorificial mais alopecia é zinco até prova em contrário.
Intestino curto e perdas digestivas aumentam muito o risco de deficiência de micronutrientes.
Vitamina A lembra xeroftalmia; vitamina C lembra sangramento e dor óssea; ferro lembra anemia microcítica.
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Contexto
Síndrome do intestino curto produz má absorção e dependência variável de nutrição parenteral. A interrupção do suporte parenteral por dificuldade de acesso venoso cria risco importante de deficiência de micronutrientes. O conjunto de dermatite vesicobolhosa periorificial e acral, alopecia e alterações oculares é clássico de deficiência de zinco.
O zinco participa de centenas de reações enzimáticas, síntese de DNA, cicatrização, imunidade e manutenção do epitélio. Sua deficiência produz um fenótipo semelhante à acrodermatite enteropática, com dermatite em regiões periorificiais, anogenitais e acras, alopecia, diarreia, dificuldade de cicatrização e maior susceptibilidade a infecções.
Em pacientes com intestino curto, o risco aumenta pela redução da superfície absortiva, perdas digestivas e ingestão insuficiente. A dosagem de zinco plasmático pode apoiar o diagnóstico, embora seus níveis sofram influência de inflamação e albumina. Diante de quadro típico e alto risco nutricional, a reposição não deve ser retardada desnecessariamente.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Deficiência de ferro causa principalmente anemia microcítica e hipocrômica, fadiga e alterações menos específicas de pele e anexos. Não explica a combinação característica de dermatite periorificial com alopecia.
B) Correta (gabarito). Deficiência de zinco produz dermatite periorificial e acral, alopecia e manifestações oculares. O contexto de intestino curto e interrupção da nutrição parenteral torna a deficiência ainda mais provável.
C) Incorreta. Deficiência de vitamina A associa-se sobretudo a cegueira noturna, xerose conjuntival, manchas de Bitot e xeroftalmia, e não ao padrão cutâneo descrito.
D) Incorreta. Deficiência de vitamina C causa escorbuto, com sangramento gengival, petéquias, equimoses, dor óssea e má cicatrização, sem o padrão típico de dermatite periorificial e alopecia.