Mulher de 60 anos, IMC = 32, com emagrecimento recente de 6 kg, poliúria e polifagia associadas a episódios repetidos de vaginite por cândida. Foram solicitados exames complementares que revelaram: glicemia = 298 mg/dl; creatinina = 1 mg/dl; hemoglobina = 11 g/dl; leucócitos = 12.000/mm3 e plaquetas = 260.000/mm3. A hemoglobina glicada era de 10%; o exame de urina mostrava 30 a 40 piócitos por campo.
Pegadinha central: não memorize apenas um corte de HbA1c; perda de peso e outros sinais catabólicos pesam fortemente a favor de insulina.
Glicemia próxima ou acima de 300 mg/dL e HbA1c em torno de 10% reforçam a necessidade de avaliar insulinização quando há sintomas importantes.
Infecção, como candidíase ou possível infecção urinária, pode ser consequência e também agravante da hiperglicemia.
A prova que você vai prestar tem cara própria. Tem tema que cai todo ano e tema que nunca apareceu, e decidir isso no improviso custa as semanas que você não tem.
O MedBoard começa pelo outro lado. Ele pesa cada tema pela banca que você vai prestar, monta o cronograma a partir disso e guarda o que você errou para devolver na hora certa.
Criar conta grátis
Contexto
A paciente tem diabetes manifesto com hiperglicemia sintomática e sinais de catabolismo: glicemia de 298 mg/dL, HbA1c de 10%, poliúria, polifagia e perda ponderal de 6 kg. Candidíase genital recorrente é outro marcador clínico de hiperglicemia. O dado decisivo não é apenas a HbA1c elevada, mas o emagrecimento, que sugere insulinopenia relativa importante e necessidade de controlar rapidamente a glicotoxicidade.
Nos Standards of Care in Diabetes 2026 da American Diabetes Association, a escolha do tratamento deve considerar gravidade da hiperglicemia e sintomas. Na presença de hiperglicemia marcada, especialmente com sintomas catabólicos, perda de peso, cetose ou suspeita de deficiência importante de insulina, a insulinização é apropriada mesmo em paciente com fenótipo de diabetes tipo 2. Após estabilização, o esquema pode ser reavaliado e simplificado conforme resposta, comorbidades e diagnóstico definitivo.
A piúria de 30 a 40 células por campo exige investigação de infecção urinária, potencial fator de descompensação. Isso não substitui o tratamento da hiperglicemia grave.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Pioglitazona aumenta a sensibilidade à insulina, mas tem início de ação relativamente lento, favorece ganho de peso e retenção hídrica e não é adequada como estratégia inicial isolada diante de hiperglicemia sintomática com catabolismo.
B) Incorreta. Glimepirida pode reduzir glicemia ao estimular secreção de insulina, mas traz risco de hipogliccemia e ganho de peso e não oferece a rapidez e previsibilidade necessárias para reverter um estado catabólico importante.
C) Incorreta. Metformina continua sendo medicamento útil em muitos pacientes com diabetes tipo 2, mas não é a melhor resposta quando há perda ponderal e descompensação glicêmica expressiva. O cenário exige uma terapia capaz de corrigir rapidamente a deficiência funcional de insulina.
D) Correta (gabarito). Insulina é a opção que controla com maior rapidez a glicemia e interrompe o catabolismo. Depois da resolução da glicotoxicidade, é possível reavaliar a necessidade de manutenção de insulinoterapia e combinar ou migrar para agentes não insulínicos conforme o perfil clínico.