Infecções congênitas (STORCH)

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Questão 46
UERJ · 2019

Ao nascimento, em 31/07/2018, Recém-Nascido (RN) a termo (39 semanas) apresentou peso adequado para idade gestacional, Apgar 9/9, não sendo necessário ser reanimado na sala de parto e sem alterações clínicas ao exame físico. Em 26/03/2018, a mãe apresentou sorologia com VDRL = 1:32 e TPHA positivo. Por isso, foi tratada, junto a seu parceiro, com penicilina benzatina 7.200.000U (três doses de 2.400.000U, aplicadas via intramuscular nos dias 02/04/2018, 09/04/2018 e 16/04/2018, comprovadas via receita médica). As demais sorologias apresentaram resultados negativos. Em 30/07/2018, ao dar entrada na maternidade, a mãe apresentava VDRL = 1:8 e TPHA positivo.

Diante desse caso, a melhor interpretação dos resultados apresentados e conduta a ser tomada em relação ao RN, respectivamente, são:
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

A gestante recebeu três doses semanais de penicilina benzatina, totalizando 7,2 milhões de unidades, terminou o tratamento mais de 30 dias antes do parto e apresentou queda do VDRL de 1:32 para 1:8, isto é, redução de duas diluições ou quatro vezes. Esses dados são compatíveis com tratamento materno adequado para sífilis tardia ou de duração ignorada, desde que o esquema tenha correspondido ao estágio clínico e não tenha havido evidência de reinfecção.

O gabarito histórico C manda realizar VDRL no recém-nascido e, se negativo, aplicar penicilina benzatina em dose única. O PCDT-IST atual do Ministério da Saúde diverge dessa conduta: recém-nascido assintomático de mãe adequadamente tratada, cujo teste não treponêmico seja não reagente ou apresente título menor, igual ou até uma diluição maior que o materno, é classificado como criança exposta e pode permanecer sem tratamento, desde que receba seguimento clínico e laboratorial adequado.

A penicilina benzatina 50.000 UI/kg em dose única passou a ficar restrita, no protocolo atual, a situações específicas de crianças nascidas de mães não tratadas ou inadequadamente tratadas, com exame físico normal, investigação complementar normal e teste não treponêmico não reagente. Assim, a alternativa C deve ser mantida por ser o gabarito da prova, mas sua etapa terapêutica está desatualizada.

Alternativa por alternativa

A) Incorreta. O tratamento materno descrito foi adequado e concluído com grande antecedência ao parto. Além disso, VDRL positivo no líquor implica neurossífilis e exige penicilina cristalina, não procaína como primeira opção nesse cenário.

B) Incorreta. A mãe não deve ser classificada como inadequadamente tratada. Além disso, um VDRL neonatal simplesmente positivo não significa automaticamente neurossífilis; é necessário comparar títulos, examinar a criança e seguir o algoritmo diagnóstico.

C) Correta (gabarito). A prova reconhece corretamente o tratamento materno adequado e a necessidade de avaliar o recém-nascido com teste não treponêmico e seguimento. O componente de penicilina benzatina mesmo com VDRL neonatal negativo corresponde à referência histórica da questão; pelo PCDT-IST atual, esse recém-nascido assintomático pode ficar sem tratamento se preencher os critérios de criança exposta e houver seguimento garantido.

D) Incorreta. Mesmo quando não há indicação de tratar, o recém-nascido exposto não recebe alta sem acompanhamento. O seguimento clínico e sorológico é obrigatório para documentar queda e negativação dos títulos.

Bizu MedBoard
  • Pegadinha central: mantenha C nesta prova, mas saiba que o PCDT atual não indica penicilina benzatina para todo RN assintomático de mãe adequadamente tratada com teste neonatal favorável.

  • Compare sempre o teste não treponêmico do RN com o materno coletado no parto.

  • Título neonatal pelo menos duas diluições acima do materno sugere sífilis congênita e exige investigação e tratamento.

  • Tratamento materno adequado não elimina o seguimento do bebê exposto.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Infecções congênitas (STORCH)” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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