Paciente (G2P1A0) comparece ao atendimento pré-natal na 22a semana de gravidez, assintomática, com laudo de exame ultrassonográfico morfológico revelando: feto único; longitudinal; pélvico; BCF = 132 bpm; placenta corporal anterior grau 0 de maturação; índice de líquido amniótico = 0,8 cm e maior bolsão vertical = 0,5 cm; bexiga fetal aumentada de volume, com imagem "em raquete", associada a hidronefrose bilateral severa; restante da morfologia aparentemente sem alterações; peso fetal no percentil 38 para idade gestacional; dopplerfluxometria de artéria umbilical normal para idade gestacional.
Pegadinha central: oligodrâmnio precoce e grave compromete desenvolvimento pulmonar, não apenas conforto fetal.
Maior bolsão vertical abaixo de 2 cm define oligodrâmnio; aqui há apenas 0,5 cm.
Megabexiga mais hidronefrose bilateral sugere obstrução urinária fetal e redução da produção efetiva de líquido amniótico.
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Contexto
A ultrassonografia mostra oligodrâmnio extremo: índice de líquido amniótico de 0,8 cm e maior bolsão vertical de apenas 0,5 cm. Considera-se oligodrâmnio quando o maior bolsão vertical é inferior a 2 cm. A megabexiga associada à hidronefrose bilateral grave sugere obstrução do trato urinário inferior fetal.
Após a metade da gestação, a urina fetal é a principal fonte do líquido amniótico. Obstrução urinária grave reduz a passagem de urina para a cavidade amniótica, produzindo oligodrâmnio. A ISUOG destaca que a manutenção de volume adequado de líquido é importante para a expansão e o desenvolvimento pulmonar. Quando a redução é intensa e precoce, pode ocorrer hipoplasia pulmonar, uma das principais causas de mortalidade perinatal nesses casos.
O oligodrâmnio prolongado também pode provocar deformidades de membros e compressão do cordão umbilical. A avaliação prognóstica considera idade gestacional de início, função renal fetal, quantidade de líquido e presença de anomalias associadas.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). O oligodrâmnio grave já presente com 22 semanas reduz a expansão pulmonar necessária ao desenvolvimento normal e pode resultar em hipoplasia pulmonar fetal.
B) Incorreta. Retenção placentária é complicação do terceiro período do parto, relacionada a falha de separação ou expulsão da placenta. Não decorre de obstrução urinária fetal.
C) Incorreta. Prolapso de cordão é mais associado a apresentação não encaixada, polidrâmnio, prematuridade e rotura de membranas. O oligodrâmnio não é o mecanismo central desse risco.
D) Incorreta. Corioamnionite decorre de infecção intra-amniótica e associa-se especialmente à rotura prolongada de membranas e outros fatores infecciosos. O enunciado descreve causa fetal obstrutiva para o baixo líquido.