Gestante de 32 anos (G3P2A0; altura = 157 cm; peso = 76 kg) apresentou os seguintes resultados relativos à investigação de diabetes, tendo sido todos os valores confirmados: IG de 11 semanas: glicemia de jejum = 88 mg/dl; IG de 25 semanas: TOTG com 75 g de glicose anidra; jejum = 97 mg/dl; uma hora = 197 mg/dl; duas horas = 164 mg/dl. A paciente foi acompanhada pelo setor de diabetes, fazendo uso de insulina NPH 8 UI após falha do controle glicêmico com dieta e exercícios. Em 28/06/2018, foi internada na maternidade em trabalho de parto, tendo evoluído para parto espontâneo sem complicações.
Pegadinha central: diabetes gestacional insulinizado não significa diabetes insulinodependente após o parto; em geral, suspenda a insulina.
TOTG 75 g no DMG: 92 no jejum, 180 em 1 hora e 153 mg/dL em 2 horas; um valor alterado já estabelece o diagnóstico pelo método de um passo.
Após DMG, faça TOTG 75 g entre 4 e 12 semanas pós-parto e mantenha rastreamento periódico ao longo da vida.
A prova que você vai prestar tem cara própria. Tem tema que cai todo ano e tema que nunca apareceu, e decidir isso no improviso custa as semanas que você não tem.
O MedBoard começa pelo outro lado. Ele pesa cada tema pela banca que você vai prestar, monta o cronograma a partir disso e guarda o que você errou para devolver na hora certa.
Criar conta grátis
Contexto
A paciente preenche critérios para diabetes mellitus gestacional. No TOTG com 75 g realizado entre 24 e 28 semanas, os pontos de corte utilizados no diagnóstico de um passo são jejum de 92 mg/dL, 1 hora de 180 mg/dL e 2 horas de 153 mg/dL. Basta um valor alterado; ela apresentou 97, 197 e 164 mg/dL, respectivamente. Como a hiperglicemia não foi controlada apenas com dieta e exercício, houve necessidade de NPH durante a gestação.
Após a dequitação placentária ocorre queda abrupta dos hormônios placentários diabetogênicos e, consequentemente, da resistência à insulina. O Standards of Care in Diabetes 2026 da American Diabetes Association destaca que pessoas com diabetes gestacional geralmente não necessitam de medicação antidiabética no puerpério imediato. Portanto, quando a insulina foi iniciada exclusivamente por diabetes gestacional, ela deve ser suspensa após o parto, com monitorização glicêmica conforme o contexto clínico.
A suspensão não encerra o acompanhamento. A ADA 2026 recomenda TOTG com 75 g entre 4 e 12 semanas após o parto, utilizando critérios diagnósticos de pessoas não gestantes. Se o teste for normal, o rastreamento para pré-diabetes e diabetes tipo 2 deve continuar ao longo da vida, em geral a cada 1 a 3 anos.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Manter a mesma dose de NPH ignora a queda imediata da resistência insulínica após a saída da placenta e aumenta o risco de hipoglicemia. Manutenção ou ajuste de insulina seria necessária se houvesse diabetes pré-gestacional ou hiperglicemia persistente após o parto.
B) Correta (gabarito). A insulina foi necessária apenas para o diabetes gestacional. No puerpério imediato, a necessidade costuma desaparecer e a insulinoterapia deve ser suspensa, seguida de reavaliação metabólica.
C) Incorreta. Reduzir apenas um terço da dose não é a conduta padrão para diabetes exclusivamente gestacional. Reduções proporcionais são usadas em pessoas com diabetes prévio que continuarão necessitando de insulina após o parto.
D) Incorreta. A necessidade de insulina cai, e não aumenta, logo após o parto. Aumentar a dose favoreceria hipoglicemia.