Paciente com lúpus eritematoso sistêmico inicia acompanhamento pré-natal na oitava semana de gestação, referindo diagnóstico da doença há oito anos e estando em remissão há dois anos, sem uso de medicação nesse último período.
Pegadinha central: hidroxicloroquina controla o LES; AAS previne principalmente pré-eclâmpsia.
Idealmente, engravidar após pelo menos 6 meses de doença quiescente.
Micofenolato, metotrexato e ciclofosfamida são fármacos que exigem grande cautela ou contraindicação na gestação.
Em paciente totalmente quiescente e já sem hidroxicloroquina, recomendações atuais admitem decisão compartilhada sobre reinício.
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Contexto
A gestação em paciente com lúpus eritematoso sistêmico é de alto risco, e o melhor cenário é concepção após pelo menos 6 meses de doença quiescente. A hidroxicloroquina é o fármaco de base do LES e está associada a menor risco de reativação, além de ser compatível com a gestação.
O ACR publicou diretriz atualizada para tratamento do LES em 2025 mantendo a hidroxicloroquina como terapia central para a maioria dos pacientes, salvo contraindicação. Na gestação, a SMFM Consult Series 64 de 2023, reafirmada em 2025 e endossada pelo ACOG, recomenda manter ou iniciar hidroxicloroquina nas pacientes com doença não quiescente. Para pacientes com doença totalmente quiescente que já estavam sem medicação, como a paciente da questão, a SMFM admite decisão compartilhada sobre reinício em conjunto com a reumatologia. Assim, B continua sendo a melhor alternativa e corresponde à estratégia tradicional de prevenção de flares, mas o reinício não é apresentado como obrigação absoluta em toda paciente quiescente.
Ácido acetilsalicílico em baixa dose é recomendado a partir de 12 semanas em gestantes com LES para reduzir o risco de pré-eclâmpsia, mas não é medicamento destinado a prevenir reativação imunológica do lúpus. Micofenolato é teratogênico e deve ser suspenso antes da concepção.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Prednisona pode ser necessária para tratar reativação ou manifestações específicas do LES, mas exposição crônica desnecessária aumenta riscos maternos e não é a primeira escolha para manutenção preventiva em paciente estável.
B) Correta (gabarito). Hidroxicloroquina é o tratamento-base mais apropriado para reduzir risco de flare e é compatível com a gestação. A nuance contemporânea é que, se a doença estiver totalmente quiescente e a paciente já estiver sem a medicação, a SMFM recomenda discussão individualizada sobre reinício.
C) Incorreta. AAS em baixa dose tem papel importante na prevenção de pré-eclâmpsia em gestantes com LES, geralmente iniciada a partir de 12 semanas, mas não substitui a hidroxicloroquina na prevenção de atividade da doença.
D) Incorreta. Micofenolato de mofetila é teratogênico e contraindicado na gestação. Recomenda-se sua suspensão antes de tentar engravidar.