Criança de 3 anos é trazida pela mãe com quadro de febre e dor de garganta há dois dias. Hoje, apareceram manchas pelo corpo de início há 30 minutos. Ao exame, a criança se apresenta em regular estado geral, com edema bipalpebral; afebril; FR = 50 irpm; FC = 150 bpm; PA = 90 x 60 mmHg; e dificuldade para respirar. A ausculta respiratória revela sibilância difusa, enquanto o exame da pele revela lesões eritematosas, palpáveis e de contornos geográficos.
Pegadinha central: anafilaxia não exige hipotensão. Pele mais comprometimento respiratório já fecha o raciocínio clínico.
Adrenalina IM: 0,01 mg/kg da solução 1 mg/mL, máximo de 0,5 mg por dose.
Beta-2 agonista, anti-histamínico e corticoide são adjuvantes e nunca devem atrasar adrenalina.
Se necessário, repita adrenalina a cada 5 a 15 minutos.
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Contexto
A criança apresenta lesões urticariformes de início agudo, edema palpebral, sibilância difusa e dificuldade respiratória. O comprometimento simultâneo de pele e sistema respiratório configura anafilaxia, mesmo sem hipotensão. A World Allergy Organization Guidance de 2020 reforça que a adrenalina intramuscular é o tratamento de primeira linha e não deve ser atrasada enquanto se aguarda piora cardiovascular.
A adrenalina atua em receptores alfa e beta-adrenérgicos, promovendo vasoconstrição, redução do edema de mucosa, aumento da contratilidade cardíaca e broncodilatação. A dose pediátrica recomendada é 0,01 mg/kg da solução 1 mg/mL por via intramuscular, até o máximo de 0,5 mg por dose, aplicada na face anterolateral da coxa. Se os sintomas persistirem, a dose pode ser repetida a cada 5 a 15 minutos.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Beta-2 agonista inalatório pode ser acrescentado se o broncoespasmo persistir, mas não trata edema de via aérea, vasodilatação sistêmica nem progressão da anafilaxia. Nunca substitui a adrenalina.
B) Incorreta. Cristaloide intravenoso é importante quando existe hipotensão ou choque distributivo, mas a criança ainda apresenta pressão arterial compatível com a idade. Mesmo quando fluidos são necessários, a adrenalina continua sendo a primeira intervenção específica.
C) Incorreta. Anti-histamínico pode melhorar urticária e prurido, porém não reverte rapidamente broncoespasmo ou obstrução de via aérea e não reduz o risco imediato de morte. Além disso, a via intramuscular não o transforma em terapia de primeira linha.
D) Correta (gabarito). Urticária e angioedema associados a sibilância e dificuldade respiratória caracterizam anafilaxia. A adrenalina intramuscular na coxa deve ser administrada imediatamente.