Doença inflamatória pélvica

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Questão 54
UERJ · 2020

Paciente é internada com dor em baixo ventre, febre de 39oC e corrimento vaginal purulento. Ao exame físico, apresenta dor à mobilização cervical e palpação dos anexos. O exame laboratorial indica leucocitose, VHS e PCR aumentados. O diagnóstico de doença inflamatória pélvica (DIP) com critérios obrigatórios e adicionais foi concluído.

O critério específico que por si só define a presença de DIP é:
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

A doença inflamatória pélvica é uma infecção ascendente do trato genital feminino superior, envolvendo endométrio, tubas, ovários e estruturas pélvicas adjacentes. O diagnóstico clínico deve ter baixa barreira para tratamento porque atraso terapêutico aumenta risco de infertilidade tubária, gravidez ectópica e dor pélvica crônica.

O CDC mantém como critérios clínicos mínimos para tratamento empírico dor pélvica em mulher de risco associada a pelo menos um entre dor à mobilização cervical, dor uterina ou dor anexial. Febre, secreção mucopurulenta, aumento de VHS ou PCR e teste positivo para gonococo ou clamídia aumentam a especificidade, mas não comprovam isoladamente infecção do trato superior.

Entre os critérios mais específicos, o CDC inclui endometrite comprovada histologicamente em biópsia endometrial, imagem mostrando tubas espessadas e cheias de líquido ou complexo tubo-ovariano e achados laparoscópicos compatíveis com DIP. A biópsia documenta diretamente inflamação endometrial, por isso é a alternativa que por si só estabelece um critério específico.

Alternativa por alternativa

A) Incorreta. Isolamento de Neisseria gonorrhoeae no colo demonstra infecção cervical e aumenta muito a probabilidade de DIP, mas não comprova isoladamente que houve ascensão ao endométrio e às tubas.

B) Correta (gabarito). Endometrite demonstrada histologicamente em biópsia endometrial é um dos critérios diagnósticos mais específicos para DIP porque documenta acometimento do trato genital superior.

C) Incorreta. Chlamydia trachomatis detectada no colo comprova infecção cervical, mas pode existir cervicite sem DIP. O achado é de suporte, não confirmação isolada de doença pélvica ascendente.

D) Incorreta. Secreção cervical purulenta é critério adicional de inflamação e aumenta a probabilidade diagnóstica, porém não é específica para acometimento do trato genital superior.

Bizu MedBoard
  • Pegadinha central: cervicite por gonococo ou clamídia apoia DIP, mas não prova que a infecção subiu.

  • Biópsia com endometrite é critério específico porque documenta inflamação do trato superior.

  • Não espere critério específico para tratar uma paciente com quadro clínico típico de DIP.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Doença inflamatória pélvica” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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