Adolescente de 14 anos, com diagnóstico de anemia falciforme, chega à emergência com quadro de febre, dispneia e dor torácica há seis horas. Ao exame, está em bom estado geral, apresenta FR = 30irpm, tiragem intercostal leve, SatO2 = 93% e ausculta respiratória com estertoração em hemitórax esquerdo. A radiografia de tórax mostra infiltrado à esquerda.
Pegadinha central: na falciforme, infiltrado novo mais sintoma respiratório ou febre é síndrome torácica aguda.
Antibiótico empírico clássico: cefalosporina de terceira geração mais macrolídeo.
Não esqueça oxigênio, espirometria de incentivo e avaliação transfusional conforme gravidade.
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Contexto
Febre, dor torácica, dispneia, hipoxemia e novo infiltrado pulmonar em paciente com doença falciforme definem síndrome torácica aguda até prova em contrário. A síndrome é multifatorial e pode resultar de infecção, vaso-oclusão pulmonar, embolização gordurosa, hipoventilação e atelectasia.
As recomendações consolidadas recentes da OMS para crianças e adolescentes com doença falciforme sugerem antibiótico empírico associado ao tratamento de suporte. O regime deve incluir cefalosporina de terceira geração mais macrolídeo, cobrindo pneumococo e outros patógenos típicos, além de agentes atípicos como Mycoplasma pneumoniae e Chlamydia pneumoniae. Ceftriaxona mais azitromicina representa exatamente esse princípio.
O manejo não se limita ao antibiótico. Inclui oxigênio para hipoxemia, analgesia sem depressão respiratória excessiva, hidratação cuidadosa, espirometria de incentivo e avaliação de transfusão simples ou de troca em doença progressiva ou grave.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Ceftriaxona mais oxacilina amplia cobertura para Staphylococcus aureus, mas deixa de oferecer a cobertura rotineira de agentes atípicos recomendada na síndrome torácica aguda.
B) Incorreta. Amoxicilina com clavulanato isoladamente não fornece o esquema hospitalar recomendado para síndrome torácica aguda e não cobre adequadamente os patógenos atípicos.
C) Correta (gabarito). Ceftriaxona cobre bactérias típicas e azitromicina cobre agentes atípicos, combinação coerente com as recomendações atuais para síndrome torácica aguda em crianças e adolescentes.
D) Incorreta. Piperacilina com tazobactam oferece espectro muito amplo para o cenário habitual e não substitui a necessidade de cobertura específica para bactérias atípicas com macrolídeo.