ITU e refluxo vesicoureteral

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Questão 48
UERJ · 2020

Recém-nascido a termo, de parto normal, com diagnóstico fetal de hidronefrose bilateral, é admitido na UTI neonatal para investigação. Apresenta, como única alteração no exame físico, pequena massa globosa suprapúbica de consistência cística que, quando pressionada, leva o bebê a urinar em gotejamento. A ultrassonografia de rins e vias urinárias evidenciou bexiga de parede espessada e trabeculada, além de importante hidronefrose bilateral.

O provável diagnóstico e exame de imagem que confirma esse diagnóstico, respectivamente, são:
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

Hidronefrose bilateral fetal associada, após o nascimento, a bexiga globosa palpável, micção em gotejamento e parede vesical espessada e trabeculada indica obstrução infravesical congênita. Em recém-nascido do sexo masculino, a causa clássica e mais frequente é válvula de uretra posterior.

A obstrução uretral aumenta cronicamente a pressão intravesical, causando hipertrofia e trabeculação do detrusor, dilatação ureteral e hidronefrose. Em casos graves, a lesão renal começa ainda intraútero e pode evoluir para doença renal crônica mesmo após correção anatômica.

As Diretrizes Europeias de Urologia Pediátrica recomendam uretrocistografia miccional quando há suspeita de válvula de uretra posterior. Durante a fase miccional, o exame demonstra dilatação da uretra posterior e permite avaliar refluxo vesicoureteral associado. Antes da investigação definitiva, o recém-nascido com obstrução importante deve ter a bexiga drenada por cateter uretral ou, se necessário, suprapúbico, além de monitorização de creatinina e eletrólitos.

Alternativa por alternativa

A) Incorreta. Obstrução da junção ureteropélvica causa dilatação do sistema coletor proximal, mas não explica bexiga distendida, parede trabeculada e micção em gotejamento. Urografia excretora também não é o exame confirmatório de escolha nesse cenário neonatal.

B) Correta (gabarito). Válvula de uretra posterior explica a obstrução baixa, a bexiga de esforço e a hidronefrose bilateral. A uretrocistografia miccional é o exame indicado para demonstrar a anatomia uretral durante a micção.

C) Incorreta. Refluxo vesicoureteral pode coexistir e contribuir para dilatação do trato urinário, mas o padrão de bexiga trabeculada com gotejamento sugere obstrução. O exame clássico para refluxo também é a uretrocistografia, não ressonância.

D) Incorreta. Bexiga hiperativa é um diagnóstico funcional e não explica obstrução anatômica neonatal com hidronefrose bilateral e parede vesical espessada.

Bizu MedBoard
  • Pegadinha central: hidronefrose bilateral mais bexiga espessada e jato fraco no menino é válvula de uretra posterior até prova em contrário.

  • Confirmação: uretrocistografia miccional com imagens da uretra durante o esvaziamento.

  • Na obstrução neonatal importante, primeiro drene a bexiga e estabilize função renal e eletrólitos.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “ITU e refluxo vesicoureteral” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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