Recém-nascido a termo, de parto normal, com diagnóstico fetal de hidronefrose bilateral, é admitido na UTI neonatal para investigação. Apresenta, como única alteração no exame físico, pequena massa globosa suprapúbica de consistência cística que, quando pressionada, leva o bebê a urinar em gotejamento. A ultrassonografia de rins e vias urinárias evidenciou bexiga de parede espessada e trabeculada, além de importante hidronefrose bilateral.
Pegadinha central: hidronefrose bilateral mais bexiga espessada e jato fraco no menino é válvula de uretra posterior até prova em contrário.
Confirmação: uretrocistografia miccional com imagens da uretra durante o esvaziamento.
Na obstrução neonatal importante, primeiro drene a bexiga e estabilize função renal e eletrólitos.
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Contexto
Hidronefrose bilateral fetal associada, após o nascimento, a bexiga globosa palpável, micção em gotejamento e parede vesical espessada e trabeculada indica obstrução infravesical congênita. Em recém-nascido do sexo masculino, a causa clássica e mais frequente é válvula de uretra posterior.
A obstrução uretral aumenta cronicamente a pressão intravesical, causando hipertrofia e trabeculação do detrusor, dilatação ureteral e hidronefrose. Em casos graves, a lesão renal começa ainda intraútero e pode evoluir para doença renal crônica mesmo após correção anatômica.
As Diretrizes Europeias de Urologia Pediátrica recomendam uretrocistografia miccional quando há suspeita de válvula de uretra posterior. Durante a fase miccional, o exame demonstra dilatação da uretra posterior e permite avaliar refluxo vesicoureteral associado. Antes da investigação definitiva, o recém-nascido com obstrução importante deve ter a bexiga drenada por cateter uretral ou, se necessário, suprapúbico, além de monitorização de creatinina e eletrólitos.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Obstrução da junção ureteropélvica causa dilatação do sistema coletor proximal, mas não explica bexiga distendida, parede trabeculada e micção em gotejamento. Urografia excretora também não é o exame confirmatório de escolha nesse cenário neonatal.
B) Correta (gabarito). Válvula de uretra posterior explica a obstrução baixa, a bexiga de esforço e a hidronefrose bilateral. A uretrocistografia miccional é o exame indicado para demonstrar a anatomia uretral durante a micção.
C) Incorreta. Refluxo vesicoureteral pode coexistir e contribuir para dilatação do trato urinário, mas o padrão de bexiga trabeculada com gotejamento sugere obstrução. O exame clássico para refluxo também é a uretrocistografia, não ressonância.
D) Incorreta. Bexiga hiperativa é um diagnóstico funcional e não explica obstrução anatômica neonatal com hidronefrose bilateral e parede vesical espessada.